Como identificar e denunciar situações de assédio moral no ambiente de trabalho

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Egberto Santana

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 11:16h.

Acordar com um nó no estômago só de pensar em abrir o e-mail corporativo pode ir além da falta de resiliência. Pode ser um sintoma relacionado a assédio moral no ambiente de trabalho.

Este é um problema geral, presente em empresas de diferentes setores. A Justiça do Trabalho informa ter recebido, em 2025, mais de 142 mil processos envolvendo assédio moral nas empresas brasileiras.

Mas como identificar momentos que passam de uma cobrança mais assertiva e saber se você está enfrentando uma situação de assédio moral no trabalho? Leia esta matéria para saber como se defender de lideranças ou colegas que passam dos limites.

Qual a diferença entre a cobrança e o assédio moral

A maior parte das empresas possui metas, prazos e momentos de tensão, mas a diferença entre uma gestão mais assertiva e o assédio moral está no fato de que a cobrança legítima foca no resultado do trabalho, enquanto o abuso é um ataque ao profissional.

O cenário se torna tóxico quando as críticas deixam de tratar do trabalho e são feitas com tom de voz diferente, ironias ou exposição diante de outras pessoas.

A Justiça trabalhista caracteriza o assédio moral como condutas abusivas que se repetem ao longo do tempo, o que significa que não se trata de um desentendimento em uma reunião, mas de um padrão de comportamento que isola, humilha ou persegue o profissional da equipe.

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Como documentar situações de assédio moral e buscar a Justiça

Uma reação recomendada para se proteger do assédio moral é montar um dossiê com evidências para denunciar aos órgãos responsáveis. Confira abaixo como fazer um:

1. Construa um registro dos episódios que acontecerem

A memória pode falhar, mas os registros permanecem, por isso anote datas, horários, locais e o nome das pessoas presentes em cada situação de abuso.

Também guarde e-mails com cobranças desproporcionais, capturas de tela de mensagens em aplicativos e preserve áudios que comprovem o que e como foi dito. A Justiça do Trabalho também pode considerar diários pessoais como indício de prova, desde que estejam acompanhados de elementos que sustentem a versão dos fatos.

2. Acione primeiro os mecanismos internos de denúncia

A pessoa pode, antes de judicializar a questão, utilizar os mecanismos internos para formalizar a queixa no departamento de Recursos Humanos ou no comitê de compliance, caso haja um.

Organizações com uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA) devem contar com procedimentos para recebimento, apuração e desfecho de denúncias de assédio, com garantia de anonimato.

Fazer uma denúncia interna também pode ser considerada como prova em uma eventual ação trabalhista.

3. Denuncie na rede pública

O profissional também pode recorrer ao Ministério Público do Trabalho (MPT). A instituição recebeu mais de 18 mil relatos desse tipo em 2025 e possui um portal no qual é possível relatar o caso de forma sigilosa.

A consulta a um advogado também pode fazer a diferença na hora de avaliar a viabilidade de uma ação de reparação por danos morais.

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Exemplos de situações de assédio moral no ambiente profissional

O mercado ainda apresenta situações em que a agressividade é associada à performance. Um exemplo é o gestor que entrega resultados, mas constrói seus números destruindo a saúde mental da equipe.

Entre os exemplos de práticas de assédio que esse profissional pode cometer estão expor um analista júnior diante dos diretores ou sobrecarregar um coordenador com metas que servem de justificativa para uma demissão.

A situação de assédio moral também pode envolver o isolamento de um profissional que liderava projetos e passa a receber demandas burocráticas. Com isso, ele é excluído de reuniões de alinhamento, em um processo conhecido como “geladeira corporativa” e usado para induzir um pedido de demissão, reduzindo custos rescisórios para a empresa.

Consequências do assédio moral para a trajetória profissional

Uma das consequências do assédio moral é a autossabotagem, fazendo o profissional duvidar da própria capacidade. Isso pode levar à queda na produtividade e ao afastamento da rede de apoio, além da perda de vontade de propor iniciativas.

Dessa forma, a documentação dos abusos e o uso de canais de denúncia permitem que o profissional se defenda do assédio moral e contribua para elevar o padrão das relações de trabalho.

Para os casos que chegam à Justiça, a legislação trabalhista prevê a rescisão indireta do contrato, que permite ao funcionário sair da empresa por vontade própria, mas mantendo o direito às verbas rescisórias como se tivesse sido demitido sem justa causa.

Não deixe de procurar ajuda profissional tanto para questões de saúde mental quanto de orientação jurídica para lidar com o assédio moral no ambiente de trabalho.


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