
Redação Na Prática
Publicado em 17 de abril de 2026 às 10:11h.
Falar sobre o que é gestão de pessoas em 2026 exige ir além de definições clássicas de RH, e os dados mais recentes do relatório do Great Place To Work ilustram isso muito bem. Eles mostram uma mudança relevante na forma como empresas estão mudando suas prioridades e valores. Há menos discurso aspiracional e mais foco em execução, produtividade e sustentabilidade do negócio.
Isso aparece de forma clara quando se observa, por exemplo, que a capacidade de entregar resultados volta a ocupar o topo das competências mais valorizadas em líderes.
Os resultados desse report indicam que a gestão de pessoas entra em uma fase mais madura e também de maior pressão, em que precisa provar seu impacto direto no negócio. A seguir, a gente resume e explica o report!
Se formos olhar os dicionários e livros acadêmicos, a gestão de pessoas é o campo responsável por estruturar as relações entre organização e colaboradores, por meio de práticas que envolvem atração, desenvolvimento, engajamento e retenção de talentos para empresas. Mas essa definição, por si só, já não dá conta do que a área representa hoje.
A partir das informações trazidas pelo relatório, é possível entender a gestão de pessoas como uma função que opera em três pontos simultâneos:
Essa terceira dimensão ganha ainda mais relevância com o avanço de exigências regulatórias, como a NR-01, que pressiona empresas a tratarem saúde mental de forma estruturada e mensurável.
Os dados do GPTW mostram que a área está passando por um processo de “realinhamento à realidade”.
Nos últimos anos, houve uma expansão acelerada de pautas relacionadas a bem-estar, flexibilidade e experiência do colaborador. Em 2026, essas pautas não desaparecem, mas deixaram de ser prioridade frente à viabilidade operacional e do impacto em resultados.
Esse movimento explica três mudanças importantes que estão moldando o mercado. A primeira é o papel central da liderança. Pelo quinto ano seguido, desenvolver boas lideranças é a maior prioridade das empresas (57,4%).
A segunda mudança é o recuo do trabalho remoto. Os modelos híbridos e presenciais estão voltando com força, e as empresas estão redesenhando como, onde e quando o trabalho acontece.
A terceira é sobre gastar melhor, não necessariamente mais. Pautas como diversidade e sustentabilidade (ESG) não perderam importância, mas hoje as empresas cobram resultados concretos antes de investir.
Saiba mais: Estes são os verdadeiros sinais de um líder confiável, segundo estudo de 2026
Segundo o relatório da GPTW, a principal mudança no perfil esperado de líderes é a ênfase em entrega. A valorização da capacidade de gerar resultados sugere um ambiente em que metas mais agressivas e menor tolerância a ineficiências passam a ditar o ritmo das organizações.
Isso coloca quem lidera em uma posição cada vez mais difícil: além de gerir pessoas, o gestor precisa entregar resultado direto, até porque será cobrado por isso. O problema é que os dados mostram um risco real: sem o preparo certo, essa pressão toda pode destruir exatamente o que faz uma equipe funcionar de verdade: a confiança e engajamento.
Em outras palavras: empurrar demais sem estruturar bem a liderança pode sair caro. E o prejuízo não aparece de imediato, aparece quando o time já está esgotado ou desmotivado.
A redução do trabalho remoto para 7,6% e a predominância do modelo presencial (51,1%) indicam uma mudança relevante na forma como empresas estão organizando suas operações.
O dado sugere que, para muitas organizações, o remoto não se consolidou como padrão sustentável em larga escala, especialmente quando o objetivo é reforçar cultura e acelerar entregas.
Ainda assim, o movimento não deve ser interpretado como uma volta ao passado, mas como uma tentativa de encontrar novos equilíbrios entre autonomia e controle.
A evolução da saúde mental dentro das empresas é um dos sinais mais claros de maturidade da gestão de pessoas.
Se antes o tema era tratado de forma reativa, agora passa a ser incorporado à gestão de riscos organizacionais. Isso inclui desde diagnósticos mais precisos até a responsabilização de lideranças na prevenção de problemas.
A influência de regulamentações como a NR-01 reforça esse movimento, ao transformar uma pauta antes voluntária em uma exigência com impacto jurídico e operacional.
A priorização da capacidade de resolver problemas complexos (60,6%) revela uma mudança no tipo de valor esperado dos profissionais.
Em um ambiente mais instável, conhecimento técnico isolado perde espaço para habilidades que permitem lidar com ambiguidade, tomar decisões sob pressão e adaptar estratégias rapidamente. Isso tem implicações diretas para gestão de pessoas, especialmente em frentes como treinamento, avaliação de desempenho planejamento de carreira.
A adoção de Inteligência Artificial avança, mas de forma desigual. O relatório aponta um descompasso entre a percepção individual (de que os profissionais já estão preparados) e a realidade organizacional, em que muitas empresas ainda não estruturaram o uso da tecnologia.
Esse desalinhamento coloca a gestão de pessoas na posição de que será a área responsável por acelerar a capacitação dos colaboradores definir diretrizes éticas e integrar a IA aos processos de forma consistente.
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