

Egberto Santana
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 11:00h.
Pode ser que você ou alguém que você conheça já tenha passado pela seguinte situação: está infeliz no trabalho, fala o tempo todo de procurar novas oportunidades, mas mesmo assim não chega de fato a pedir demissão.
Segundo um levantamento da consultoria Robert Half, 47% dos brasileiros desejam um novo emprego até o final de 2026, mas apenas 16% desses já estão em busca de uma vaga.
O ato de pedir demissão está ligado a romper com diversos tipos de vínculos com o emprego atual, como renda, benefícios, rotina, relações profissionais e, em muitos casos, sensação de estabilidade.
Em uma reportagem publicada no jornal O Tempo, especialistas apontam que o medo do desemprego, a insegurança sobre a própria empregabilidade, o receio de não se adaptar a outra empresa e o julgamento social estão entre os fatores que dificultam a decisão de sair.
Além disso, a exaustão também pode fazer com que alguém permaneça em uma situação ruim simplesmente porque não tem energia para procurar outra oportunidade.
Com o trabalho, a pessoa paga o aluguel, contas ou ajuda a família, então pedir demissão envolve um risco de perdas financeiras.
Na hora de decidir sair de um emprego, muitas pessoas passam a questionar se têm condições de ficar algum tempo sem essa renda. Se você está passando por isso, avalie suas despesas e a perda de benefícios. Também faça uma reserva financeira e veja como é a possibilidade de recolocação na sua área para uma análise mais objetiva.
Algumas pessoas tendem a se questionar “como sair depois de tudo que fizeram por mim?”. Essa é uma justificativa comum principalmente para quem está no primeiro emprego ou teve reconhecimento profissional na empresa, como aumento salarial ou promoções.
Existe ainda um paradoxo: quanto mais desgastante o emprego se torna, menos disposição pode sobrar para sair dele.
Afinal, atualizar o currículo, procurar vagas, participar de processos seletivos e fazer entrevistas exige tempo e energia. É também por causa desses fatores que a pessoa pode continuar adiando uma mudança de empresa mesmo quando já percebe que a situação não está funcionando.
Leia mais: Carta de demissão: baixe modelo gratuito para preencher e enviar
Um dia ruim não significa necessariamente que você precisa sair. O ponto de atenção está na frequência, na duração e no impacto da insatisfação no seu trabalho.
| Sinal | Pergunta para reflexão |
|---|---|
| Desmotivação constante | Isso acontece em períodos específicos ou virou parte da rotina? |
| Falta de reconhecimento | Já conversei sobre expectativas e desenvolvimento? |
| Sobrecarga | Existe espaço para rever responsabilidades e prioridades? |
| Problemas com a liderança | É possível mudar de equipe ou buscar apoio interno? |
| Falta de perspectiva | Ainda existem caminhos de crescimento nessa empresa? |
| Sofrimento relacionado ao trabalho | A situação está afetando minha vida fora do expediente? |
Antes de se desligar da empresa, alguns passos ajudam a fazer uma transição mais suave.
Em situações que envolvam assédio, problemas de saúde relacionados ao trabalho ou possíveis irregularidades trabalhistas, vale buscar orientação profissional antes de formalizar a saída. Dependendo do caso, pode ser necessário ter apoio jurídico.
Leia mais: Como saber se é o momento certo de tomar a decisão difícil de mudar de carreira
Para profissionais contratados pela CLT, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, quem pede demissão recebe, em regra, saldo de salário, 13º proporcional e férias devidas acrescidas de um terço. Porém, não tem direito à multa rescisória de 40% do FGTS, ao saque do FGTS pelo motivo da rescisão nem ao seguro-desemprego.
| Direito | Pedido de demissão | Demissão sem justa causa |
|---|---|---|
| Saldo de salário | Sim | Sim |
| 13º proporcional | Sim | Sim |
| Férias devidas + 1/3 | Sim | Sim |
| Multa de 40% do FGTS | Não | Sim |
| Saque do FGTS pela rescisão | Não | Sim |
| Seguro-desemprego | Não | Sim |
No pedido de demissão, quem recebe salário mensal deve, em regra, cumprir 30 dias de aviso prévio. Caso deixe o trabalho antes do término, a empresa pode descontar o período restante das verbas rescisórias. Convenções coletivas e outras situações podem alterar as regras, por isso, em caso de dúvida, verifique com o sindicato ou um profissional especializado.
—
Se você está em busca de recolocação profissional, confira o curso online e gratuito Processo Seletivo Na Prática. Você vai aprender desde como otimizar o currículo para passar pela triagem por Inteligência Artificial até como responder às perguntas mais comuns em entrevistas de emprego. Conheça aqui o curso Processo Seletivo Na Prática