O Diabo Veste Prada 2: por que Miranda Priestly virou exemplo de como (não) ser líder

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Felipe Giacomelli

Publicado em 30 de abril de 2026 às 01:22h.

Mesmo que você fosse jovem demais em 2006, ano de lançamento do primeiro O Diabo Veste Prada, é bem provável que conheça Miranda Priestly mesmo sem ter visto o filme.

A chefe que destrói qualquer um com um simples olhar é uma referência cultural que escapou das telas e fez parte da cultura millenial desde então.

Pois bem, o sucesso foi tão grande que O Diabo Veste Prada 2 estreia nesta quinta-feira, 30 de abril, nos cinemas brasileiros — e é o momento perfeito para entender por que a personagem de Meryl Streep se tornou, ao mesmo tempo, um ícone do cinema e um manual de como não liderar uma equipe.

Primeiro, o básico: do que se trata O Diabo Veste Prada?

Para quem não viu o original de 2006, o filme acompanha Andy Sachs (personagem de Anne Hathaway), uma jovem recém-formada em jornalismo que consegue um emprego na Runway, a revista de moda mais poderosa de Nova York.

O problema é que ela passa a trabalhar diretamente para Miranda Priestly (Meryl Streep), a editora-chefe autoritária e perfeccionista que comanda a publicação com mãos de ferro.

O filme foi um fenômeno: arrecadou mais de US$ 326 milhões nas bilheterias mundiais e se tornou um dos retratos mais icônicos do ambiente corporativo no cinema.

Miranda Priestly: a chefe dos pesadelos

Desde o primeiro dia de trabalho, Andy enfrenta uma realidade que muitos jovens profissionais reconhecem imediatamente.

Miranda dá ordens impossíveis e espera resultados perfeitos: pede que Andy arrume para suas filhas um manuscrito inédito de um próximo livro do Harry Potter — uma tarefa impossível para a época, tamanho o sucesso da saga do bruxo –, manda buscar um voo cancelado por tempestade e exige que sua funcionária antecipe cada um de seus desejos sem que eles sejam sequer pronunciados.

O modelo é o que especialistas chamam de liderança pelo medo. O líder obtém resultados não pela inspiração, mas pela pressão constante e pelo terror de errar.

O efeito sobre Andy é devastador: ela abre mão de suas crenças, do seu estilo de vida e das suas horas de descanso, o relacionamento com o namorado entra em colapso, as amizades ficam em segundo plano, e ela começa a se tornar exatamente o tipo de pessoa que dizia desprezar.

Isso é o que ambientes de trabalho tóxicos fazem: corroem a identidade das pessoas de dentro para fora.

Os comportamentos de Miranda Priestly que nenhum líder deveria copiar

  1. Comunicação de mão única, sem feedback e sem reconhecimento. Miranda raramente explica o que quer e jamais elogia um bom trabalho. A equipe opera no escuro, sempre com medo de errar.
  2. Metas impossíveis sem nenhum suporte ou orientação. Andy precisa se virar para dar conta das metas irreais e dos pedidos absurdos da chefe.
  3. Disponibilidade total exigida a qualquer hora. Ligações de madrugada, demandas no fim de semana, zero respeito pelo tempo pessoal da funcionária.
  4. Liderança pelo medo, não pela inspiração. O que mantém a equipe da Runway é literalmente o pavor das consequências de decepcionar Miranda.
  5. Ausência total de reconhecimento. A motivação nunca vem de um “bom trabalho”. Vem do alívio de não ter sido destruída publicamente.

Líderes assim podem gerar resultados no curto prazo, mas constroem ambientes insustentáveis e perdem os melhores talentos.

Miranda Priestly é uma vilã?

O debate sobre o comportamento da personagem é longo e, com o segundo filme saindo 20 anos depois, podemos dizer que já dura décadas.

De um lado, personagem de Meryl Streep é realmente desprezível como chefe, mas também é competente, visionária e paga um preço alto pelo modelo de vida que escolheu: o marido a abandona, fica emocionalmente isolada e sua vida pessoal fracassa na mesma proporção em que sua carreira triunfa.

E precisamos lembrar que também há uma questão de gênero: afinal, poucas são as líderes mulheres em uma indústria tão competitiva e, por ser exigente, é rapidamente é chamada de “diabo”. Isso não justifica o assédio moral que Miranda, mas traz profundidade à personagem, para além de ser uma vilã simples.

E a continuação? O que esperar de O Diabo Veste Prada 2

Após 20 anos, o quarteto original está de volta. Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci retornam aos papéis que os consagraram.

O contexto agora é radicalmente diferente: a Runway enfrenta o declínio das revistas impressas na era digital, Andy retorna em meio a esse momento crítico para tentar manter a relevância da publicação no mercado, e Emily Blunt, a ex-assistente que todos adoravam odiar, agora ocupa uma posição de poder em um grupo rival, o que a coloca em rota de colisão com a própria Miranda.

O elenco ganhou nomes como Kenneth Branagh, Lucy Liu e participações especiais de Lady Gaga.

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Independentemente de O Diabo Veste Prada 2 ser um sucesso de bilheteria ou não, a trajetória de Andy continua sendo um espelho para muitos jovens profissionais.

Saber diferenciar quando a dificuldade faz parte do crescimento e quando é simplesmente abuso é uma das habilidades mais importantes para quem está começando a carreira.

E a conclusão de Andy no final do primeiro filme segue sendo poderosa: ela sempre teve uma escolha. E escolheu não se tornar Miranda. O filme original está no Disney+, e vale muito assistir.

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