6 dicas de professora da Universidade de Nova York sobre como ser contratado

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Egberto Santana

Publicado em 17 de julho de 2026 às 16:24h.

Em um cenário marcado pela inteligência artificial, pela automação dos processos seletivos e pela transformação acelerada das profissões, muitos jovens têm se perguntado o que realmente faz diferença na hora de conquistar uma vaga. Foi justamente sobre esses desafios que a professora Suzy Welch, da NYU Stern School of Business, respondeu a algumas das dúvidas mais frequentes.

Especialista em carreira, liderança e desenvolvimento profissional e autora de best-seller, Welch foi entrevistada em um vídeo do The Wall Street Journal no qual compartilhou reflexões sobre empregabilidade, comportamento profissional e as competências que ajudam candidatos a se destacarem em um mercado cada vez mais competitivo.

Embora suas respostas tenham sido direcionadas ao contexto norte-americano, seus conselhos podem ser aplicados à realidade brasileira, ainda mais em um momento em que empresas buscam profissionais capazes de combinar habilidades técnicas, pensamento crítico e capacidade de adaptação.

As 6 dicas de Suzy Welch sobre como ser contratado

1. Não basta seguir sua paixão: é preciso desenvolver competência

Ao ser questionada sobre o pior conselho de carreira que já recebeu, Suzy Welch relembra do clássico: siga sua paixão. Segundo ela, isso pode ser um erro, pois gostar de uma atividade não é suficiente para transformá-la em profissão. “Eu odeio esse conselho porque você também precisa ser bom na área que for seguir. Caso contrário, deveria ser um hobby.”

O desafio para estudantes e recém-formados é encontrar o ponto de encontro entre interesse pessoal, talento e demanda do mercado. Em vez de perguntar apenas “o que eu gosto de fazer?”, talvez seja mais útil perguntar “em que consigo gerar resultados relevantes?”.

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2. Sua personalidade é a sua marca profissional

No sentido oposto, na hora de responder uma pergunta sobre qual foi o melhor conselho de carreira que já recebeu, a professora da NYU disse que foi um sobre sua personalidade ser a forma como o mundo percebe quem você é.

Em um ambiente profissional, isso significa que competências técnicas são importantes, mas a maneira como uma pessoa se comunica, colabora, comporta e constrói relacionamentos também influencia sua trajetória.

Nesse contexto, comunicação, inteligência emocional, capacidade de trabalhar em equipe e adaptabilidade aparecem frequentemente entre os atributos mais desejados pelas empresas.

Para jovens profissionais, isso significa que construir uma reputação positiva e desenvolver uma presença profissional consistente pode ser tão importante quanto acumular certificados.

3. Na era da IA, o pensamento próprio vale mais do que nunca

Uma das preocupações dos leitores do Wall Street Journal era entender como se destacar em um cenário em que currículos, cartas de apresentação e portfólios podem ser facilmente produzidos por ferramentas de inteligência artificial.

“O que faz um funcionário ou um candidato em potencial se destacar é o conhecimento que ele tem sobre a sua empresa. Ele sabe quem você é, conhece a sua história, faz perguntas sobre seus produtos, seus mercados, seus clientes, mostrando que ele realmente está envolvido e não delegou seu intelecto à inteligência artificial.”

Ou seja, segundo a professora, mais do que repetir informações disponíveis na internet, os candidatos devem conseguir oferecer interpretações e perspectivas pessoais.

À medida que a IA torna conteúdos mais padronizados, recrutadores passam a valorizar candidatos que demonstram pensamento crítico, curiosidade intelectual e capacidade de análise independente.

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4. Humanize sua candidatura

Ao responder sobre a melhor forma de procurar emprego, Welch defende uma abordagem menos automatizada e mais humana.

Em vez de depender exclusivamente de plataformas digitais, a professora relembra, ironicamente, da “idade das pedras”. Ela menciona o uso do e-mail e do telefone como práticas que demonstram iniciativa.

Esse conselho ganha relevância em um contexto no qual milhares de currículos são enviados diariamente por sistemas automatizados.

No Brasil, especialistas em recrutamento relatam que candidatos que conseguem estabelecer conexões genuínas, participar de eventos do setor e criar redes de relacionamento tendem a ser mais lembrados pelos recrutadores.

5. Não ignore as oportunidades em empresas menores

Quando questionada sobre como se preparar para um futuro cada vez mais incerto, Welch recomenda que jovens profissionais ampliem seu olhar para além das grandes corporações.

Segundo ela, startups e empresas menores podem oferecer oportunidades valiosas de aprendizado, autonomia e crescimento. “Vá trabalhar em uma empresa com quatro pessoas. Eu sei que há menos segurança [nessas vagas], mas grandes empresas também não oferecem isso.”

Essa perspectiva também faz sentido no cenário brasileiro. O ecossistema de startups continua gerando oportunidades para profissionais em início de carreira, especialmente em áreas ligadas à tecnologia, inovação e negócios digitais.

Para muitos profissionais, essa vivência em startups pode acelerar o desenvolvimento de competências que serão valorizadas ao longo de toda a carreira.

6. O sucesso exige disposição para correr riscos

Para Suzy Welch, a principal diferença entre jovens que conseguem impulsionar suas carreiras e aqueles que acabam estagnando está na relação com o risco. Os profissionais que avançam mais rapidamente tendem a encarar fracassos como parte do processo de aprendizagem e demonstram maior disposição para experimentar caminhos menos convencionais.

Essa característica é ainda mais importante em um mercado de trabalho marcado por mudanças constantes. Novas profissões surgem, outras desaparecem e trajetórias lineares se tornam cada vez mais raras.

“Os jovens que começam dizendo: ‘Vou arriscar tudo agora, antes de ter uma hipoteca’, são os que tendem a se reerguer quando algo dá errado, aí as pessoas começam a apostar neles. Eu sei que isso soa como um conselho assustador, mas vou dar mesmo assim”, finaliza a professora. Dentro do contexto americano, ter uma hipoteca, que ela menciona, equivale a firmar um compromisso como o financiamento de um imóvel no Brasil.

Por que as dicas de Suzy Welch importam para o mercado de trabalho brasileiro?

Apesar de terem sido feitas pensando em candidatos a vagas de trabalho nos EUA, as reflexões da professora Suzy Welch também se aplicam às tendências observadas no Brasil.

Um levantamento divulgado pelo LinkedIn mostrou que habilidades relacionadas à inteligência artificial, comunicação, resolução de problemas e pensamento analítico estavam entre as mais valorizadas pelas empresas.

Ao mesmo tempo, recrutadores relatam dificuldades para encontrar profissionais que consigam demonstrar essas competências na entrevista, especialmente durante processos seletivos cada vez mais automatizados.

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