O selo Open to Work do LinkedIn vale a pena? Veja o que dizem especialistas

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Egberto Santana

Publicado em 27 de março de 2026 às 07:55h.

Atualizar o currículo, personalizar cada carta de apresentação, mandar mensagem para antigos colegas, acompanhar vaga por vaga… quem está em busca de recolocação sabe bem o quanto esse processo pode ser exaustivo. E, em algum momento, uma dúvida quase que inevitável acaba surgindo: será que eu deveria ativar o selo “Open to Work”, do LinkedIn?

A famosa moldura verde na foto do LinkedIn promete aumentar a visibilidade e atrair recrutadores com mais facilidade. Mas será que essa estratégia realmente funciona? Ou será que pode prejudicar sua imagem e abordagem profissional? A resposta nem sempre é tão simples, e especialistas propõem alternativas para quem busca entrar ou retornar ao mercado de trabalho.

Nesta matéria, reunimos as visões de Daniel Blumen, recrutador ouvido em vídeo pelo Na Prática em 2023 (assista abaixo), e Paula Boarin, mentora de carreiras entrevistada pelo portal Na Prática, também em 2023. Veja abaixo o que eles tem a dizer sobre o uso do selo Open to Work na busca por emprego.

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Selo Open to Work do LinkedIn na visão de especialistas

Para o recrutador Daniel Blumen, o selo Open to Work deve ser utilizado com cautela. Para ele, o ideal é indicar que está procurando emprego apenas na opção do perfil destinada a recrutadores. Essa é um função que esses profissionais conseguem visualizar pelo Linkedin Recruiter — plataforma de RH usada para pesquisa e contratação — mas não é visível para os demais usuários da rede.

“Isso informa para o recrutador quem está buscando emprego. Ele faz uma seleção com as competências da vaga e pode priorizar quem está com essa opção ligada. Facilita a vida do recrutador, que evita perder tempo com quem não tem interesse de mudar de trabalho.”

Em relação à famosa moldura verde, Daniel diz que um dos riscos do ícone é impactar o networking. Segundo ele, ao exibir a moldura verde, o profissional pode acabar transmitindo a impressão de que está entrando em contato com outros usuários da rede apenas com o objetivo de conseguir um novo emprego. “A abordagem tem que ser de outra forma, nunca pedindo emprego”, ressaltou.

Ele faz uma ressalva importante: o selo pode funcionar em casos muito específicos, como em áreas bastante disputadas, a exemplo de especialistas em tecnologia ou dados. Fora isso, tende a ter efeito limitado ou até mesmo negativo.

Paula Boarin adota uma postura ainda mais cautelosa. A mentora afirma que não utilizaria o selo em seu perfil, por entender que ele não agrega valor real à estratégia de carreira. “Por “n” questões, não acho que agregaria para minha estratégia”, disse.

“Eu ativaria minha rede existente (nem que seja via WhatsApp). Buscaria cursos, grupos profissionais, eventos para socializar (tem muita coisa gratuita e até online), o foco é conhecer gente, melhorar o currículo, se atualizar e enxergar oportunidades”, completou a especialista em outro ponto da entrevista.

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E publicações de saída da empresa pode?

Se há consenso sobre o selo, o mesmo não acontece quando o assunto é anunciar publicamente a saída de uma empresa.

Para Blumen, esse tipo de post pode ser positivo, desde que seja bem conduzido. Ele recomenda publicações com tom de agradecimento, valorizando aprendizados e experiências, sempre evitando críticas ou exposição negativa. “Não tem problema nenhum anunciar, desde que fale bem”, recomendou.

Borin foi por um outro caminho: “Não acho que faria diferença real nas indicações [os posts de saída da empresa]”. A especialista não via ganho prático na estratégia, pois as pessoas que costumam indicar para as vagas são pessoas próximas do usuário, e não a rede de seguidores. Ela também lembra que as empresas costumam encaminhar os candidatos diretamente para os sites de vagas, sem resultar em muitas vantagens no processo seletivo.

Em vez disso, a especialista defende um foco maior nos bastidores da recolocação, com atualizações de currículo no Linkedin e plataformas de vagas, compartilhamento de conquistas e aprendizados e ativar o networking, dentro e fora da plataforma.

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O debate do selo Open to Work: estratégia ou visibilidade?

A análise dos dois especialistas leva a uma conclusão em comum: a importância de uma estratégia consistente de carreira.

Enquanto o selo “Open to Work” aposta na visibilidade imediata, outros recursos, como a configuração para recrutadores e o fortalecimento do networking, tendem a gerar resultados mais sólidos no médio prazo. No fim das contas, estar aberto a oportunidades não é apenas uma questão de ativar um botão, mas de como você se posiciona no mercado.

Leia também: Como usar o LinkedIn para conseguir emprego

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