

Marcela Marcos
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 11:26h.
O mercado de trabalho exige atualização constante. Com tantas novidades surgindo da noite para o dia, pode parecer que é necessário aprender tudo ao mesmo tempo. É nesse cenário que uma ferramenta criada para a gestão de empresas pode servir para pensar a própria carreira, a “matriz BCG“.
A metodologia foi desenvolvida para a área de negócios e relaciona as necessidades do mercado com o potencial de uma empresa para decidir um investimento. Essa mesma lógica pode ser adaptada para analisar competências profissionais para se desenvolver. Continue a leitura para entender em detalhes como aplicar à rotina!
Criada pelo Boston Consulting Group no fim dos anos 1960, a matriz BCG foi desenvolvida para ajudar empresas a analisar seus negócios e decidir onde concentrar recursos. O modelo relaciona dois fatores, o crescimento do mercado e a participação (share) da empresa no mercado, e distribui os negócios em quatro grupos conhecidos como estrelas, vacas leiteiras, pontos de interrogação e abacaxis, ou dogs.
Na adaptação para carreira, a proposta é transportar essa lógica para as competências profissionais. Nesse caso, as variáveis passam a ser a demanda do mercado por uma determinada habilidade ou competência e o seu nível de domínio da habilidade.
As necessidades do mercado podem ser observadas pelas vagas postadas na sua área, relatórios sobre profissões e levantamentos de habilidades. O Na Prática já reuniu competências que mais cresceram em demanda em 2026, segundo o LinkedIn.
A segunda variável depende da própria trajetória. Uma pessoa pode ter desenvolvido pouco uma habilidade que aparece com frequência nas vagas, mas ser especialista em outra, que perdeu espaço no mercado.
Para adaptar a matriz BCG à sua carreira, antes de tudo, liste as competências presentes na sua rotina profissional. Neste passo, podem entrar conhecimentos técnicos, ferramentas, idiomas, capacidade de comunicação, análise de dados, gestão de projetos ou outras habilidades relacionadas ao trabalho.
Depois, avalie cada uma a partir de duas perguntas:
A combinação das respostas permite distribuir as competências pelos quatro quadrantes.

Na matriz original, as vacas leiteiras são negócios com alta participação em mercados de baixo crescimento. São atividades consolidadas que geram recursos para financiar outras frentes.
Na adaptação para carreira, entram aqui as habilidades que a pessoa domina e que continuam sendo necessárias e valorizadas, mas que não apresentam tanta demanda como antes.
Essas competências formam a base dos conhecimentos e são a partir delas que você vai desenvolver novas habilidades.
No mundo dos negócios, as estrelas combinam alta participação de mercado com alto crescimento. No modelo original, são empresas para se investir, porque apresentam potencial de expansão.
Na carreira, esse quadrante reúne competências que a pessoa já domina e que também aparecem em um mercado em expansão. São conhecimentos que não só devem ser valorizados como também ampliados.
Os pontos de interrogação são negócios que atuam em mercados de alto crescimento, mas ainda têm baixa participação. No modelo original, a empresa precisa decidir, levando em conta os riscos associados, se investe neles para tentar transformá-los em estrelas.
Na carreira, esse quadrante pode representar as competências que estão ganhando espaço no mercado, mas que você ainda não domina. A Inteligência artificial, a análise de dados ou uma ferramenta de determinado setor podem aparecer aqui dependendo da área e do momento de carreira.
Você não precisa priorizar todas as habilidades que aparecem em alta nos estudos de mercado. O ideal é escolher uma ou duas possibilidades e testá-las. O objetivo é transformar em novas habilidades estrela o que fizer sentido para sua trajetória.
Na matriz original, os negócios classificados como abacaxis (ou dogs) combinam baixa participação de mercado com baixo crescimento. Geralmente são investimentos que não fazem mais sentido.
Para a carreira, eles podem reunir conhecimentos dos quais você tem pouco domínio com baixa demanda no mercado escolhido. Um exemplo é um software substituído por outra tecnologia, como o Paintbrush ou Corel Draw para designers ou programação em Flash.
A falta de organização das próprias competências costuma aparecer em duas situações. Na primeira, o profissional pode concentrar quase todo o tempo no que já sabe fazer e deixar de acompanhar as mudanças na área, ficando desatualizado e podendo enfrentar dificuldades para ser promovido ou para se recolocar no mercado.
Na outra, pode tentar aprender todas as novidades ao mesmo tempo e, no fim, não ser especialista em nada.
O framework também pode ajudar a decidir a própria trajetória. Em vez de escolher um curso apenas porque uma ferramenta está em alta, o profissional pode comparar a demanda existente com seu nível de domínio e decidir se aquela competência merece entrar na lista de prioridades.
A matriz BCG precisa ser revista com certa frequência ao longo da carreira. Tecnologias estão surgindo a todo momento, por isso a demanda por uma habilidade pode mudar, assim como seu domínio profissional dela.
Por exemplo, um designer que trabalhou durante anos com diagramação para mídia impressa pode ter um conhecimento consolidado nessa área (alto domínio da ferramenta), mas perceber uma redução das oportunidades (baixa demanda do mercado). Nesse caso, a matriz BCG consegue mostrar que vale se atualizar.
Outro risco é considerar qualquer novidade como uma futura estrela. A existência de muitas vagas ou de uma ferramenta em alta não significa que aquele conhecimento será relevante para sempre.
O mesmo cuidado vale para os abacaxis. Uma competência pouco valorizada no mercado pode continuar sendo necessária para determinada função ou organização. Um exemplo é o COBOL, antiga ferramenta de programação que ainda é usada em sistemas mais antigos, e há demanda para profissionais que a conheçam. O quadrante, assim, não deve ser usado como justificativa para eliminar conhecimentos sem avaliar o contexto.
Para se atualizar com algumas das competências mais valorizadas do mercado, como inteligência emocional, comunicação assertiva e técnicas de storytelling, conheça os cursos online e gratuitos do Na Prática. Acesse aqui.