
Egberto Santana
Publicado em 6 de novembro de 2026 às 16:41h.
Você já teve a impressão de que, no modelo remoto, o expediente nunca termina e você está sempre trabalhando? Se esse é o seu caso, você precisa aprender a se desligar do trabalho no home office.
Isso significa criar uma separação entre o horário profissional e o de descanso para que o seu cérebro entenda que o expediente terminou, mesmo quando o escritório e a sua casa ocupam o mesmo espaço.
Nesta matéria, você vai conhecer dicas para conseguir encerrar o expediente no home office e entender por que continuar disponível após o horário pode prejudicar sua saúde e sua vida pessoal.
Para se desligar do trabalho, vale criar hábitos que ajudem a marcar a passagem entre o expediente e o momento de descanso. Isso é relevante no home office, já que não há o deslocamento físico entre o escritório e a casa, que ajuda a marcar a transição entre o trabalho e o descanso
Veja abaixo três dicas de como fazer isso:
Nos últimos minutos do expediente, revise o que foi feito e registre as prioridades do dia seguinte.
Depois, feche os programas de trabalho e, se possível, tire o computador da sua vista. Esse ato de desligar o computador e guardá-lo em outro lugar pode criar uma separação física entre o período de trabalho e o de descanso, principalmente em uma rotina na qual os dois acontecem no mesmo ambiente.
Um dos motivos de as pessoas se sentirem conectadas 100% do tempo é que Slack, Teams, e-mail e outros aplicativos podem continuar enviando notificações depois do expediente.
Uma alternativa é ativar o modo não perturbe para silenciá-los fora do horário de trabalho. Também vale avaliar se é necessário receber e-mails de trabalho no celular pessoal. Dessa forma, você evita que demandas que podem esperar até o dia seguinte tenham sua atenção durante o período de descanso.
Algumas pessoas ficam receosas de desligar as notificações ou de não responder e-mail fora do horário de trabalho. Se for esse o seu caso, converse com sua liderança sobre quais situações exigem uma resposta rápida e quais podem aguardar até o dia seguinte.
Nessas horas, é necessário ir além do bom senso ou de “só responder ao celular em caso de emergência”. Tente combinar o que a equipe de fato considera uma emergência e por qual canal ela será comunicada.
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Imagine a seguinte cena: você terminou o expediente, sentou no sofá para ver um filme, e o celular vibrou. Era uma mensagem do seu chefe pedindo uma informação para a reunião do dia seguinte. Você decide abrir o computador rapidinho para checar o dado e enviar o arquivo. Só que esse rapidinho levou meia hora.
Esse é um exemplo de como os aplicativos de mensagens podem transmitir a impressão de que o profissional está disponível 100% do tempo.
Colocar um limite nessa disponibilidade não é uma responsabilidade apenas do profissional. As lideranças e as empresas têm papel ativo nessa cultura de disponibilidade ao definir expectativas, prazos e formas de comunicação.
Isso também é uma questão de saúde. Uma pesquisa publicada em 2025 nos Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário, da Fiocruz, identificou jornadas ampliadas, pressão por produtividade e dificuldade de separar trabalho e vida pessoal entre os problemas associados ao teletrabalho.
Já uma análise da Organização Mundial da Saúde e da Organização Internacional do Trabalho concluiu que trabalhar 55 horas ou mais por semana está associado, em comparação com jornadas de 35 a 40 horas, a maior risco de AVC e de isquemia cardíaca. Ao mesmo tempo, os afastamentos por burnout no Brasil aumentaram 493% entre 2021 e 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
A Organização Internacional do Trabalho, inclusive, defende que modalidades como o teletrabalho sejam acompanhadas por medidas capazes de limitar seus efeitos negativos, incluindo políticas de direito à desconexão.
Conseguir se desligar do trabalho no home office, assim, ajuda a reservar tempo para dormir, estudar, praticar atividades físicas, encontrar outras pessoas ou descansar. Sua saúde, portanto, agradece.
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