
Marcela Marcos
Publicado em 30 de junho de 2026 às 15:23h.
Todo mundo quer ser promovido no trabalho? Não é bem assim. Uma reportagem da Forbes mostra que a Geração Z lidera uma mudança de comportamento profissional, priorizando o propósito de vida em vez de cargos mais altos, mesmo que isso represente ganhar menos no curto prazo. Esse fenômeno ficou conhecido como quiet ambition.
A expressão descreve os profissionais para os quais o topo da hierarquia corporativa deixou de ser o objetivo número um, em um movimento impulsionado pela busca por saúde mental e pelo equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Um levantamento da plataforma Visier reforça esse retrato: 62% dos colaboradores que responderam à pesquisa preferem manter funções operacionais em vez de virar gerentes, enquanto apenas 9% têm como meta assumir a chefia.
Nesses casos, o topo da lista de prioridades é ocupado pela vida pessoal, como passar mais tempo com a família e cuidar da saúde. Ao mesmo tempo, o profissional de hoje busca evoluir na sua especialidade e entregar projetos maiores.
Nada disso significa abrir mão de avançar profissionalmente. Hoje, já há caminhos para evoluir profissionalmente sem precisar assumir cargos de gestão. É aí que entra a quiet ambition e a possibilidade de crescer na carreira sem virar chefe.
Em muitas empresas, é comum que um profissional que se destaque em sua área, como tecnologia, vendas ou finanças, seja promovido a gestor, até como forma de justificar o aumento salarial. Entretanto, essa “promoção forçada” pode ser um erro de estrutura da organização.
Como alternativa, há companhias que também valorizam quem escolhe se aprofundar em sua área de conhecimento. Reter esses talentos pode prevenir o apagão de habilidades em setores como tecnologia, finanças e engenharia.
Nas empresas, isso é chamado de carreira em Y, que valoriza reconhecimento e aumento salarial tanto para quem assume a liderança de equipes quanto para quem se especializa em uma determinada área do conhecimento. Esse movimento também é uma resposta do mercado a uma demanda dos trabalhadores. O tema do desenvolvimento de competências ganha força nesse modelo.
O primeiro passo é mapear as competências que você domina. O foco deve ficar em habilidades que resolvem problemas ou geram economia para a companhia.
Por exemplo, os desenvolvedores de software ou cientistas de dados podem demonstrar que estão desenvolvendo novos produtos que aumentarão a receita da empresa.
Se você estiver tendo um bom desempenho, a oportunidade de promoção para liderança vai surgir, e você precisa saber como recusá-la. Nesse caso, os profissionais devem deixar claro que são movidos por desafios, mas que seus objetivos profissionais não incluem gerir uma equipe e que vão render mais se permanecerem na execução do trabalho.
Melhor ainda é você mostrar números que demonstrem que para a empresa o retorno sobre o investimento do salário é maior se você puder focar na sua especialidade.
As avaliações de desempenho servem como o momento para negociar os caminhos de aumento salarial. Se você sentir que a única maneira como a empresa enxerga evolução profissional é liderar equipes, vale questionar como a companhia recompensa a especialização.
Se não houver uma resposta, talvez seja o melhor momento de buscar por novas opções no mercado.
Os resultados falam por si quando o profissional não ocupa um cargo de supervisão. Mostre que seu conhecimento faz a diferença para a empresa. Registre os projetos que você desenvolveu, as melhorias que você propôs e, principalmente, os resultados que você trouxe. Atuar como mentor ou consultor garante que sua opinião seja respeitada nas decisões da empresa.
Uma boa estratégia de marketing pessoal ajuda a acelerar esse processo. Para isso, compartilhe aprendizados, participe de discussões relevantes, apresente insights (e dados) e cultive uma rede de relacionamentos.
No dia a dia, seja dentro ou fora do escritório, isso tudo faz com que competências técnicas e comportamentais sejam percebidas com mais facilidade por lideranças e colegas, fortalecendo a reputação construída no dia a dia.
O que fazer quando o chefe tenta impor a promoção?
Muitos profissionais sentem medo de demissão ao recusar a liderança. A resposta não deve ser uma negativa seca. O ideal é se oferecer para assumir um projeto de maior complexidade, provando que você deseja continuar crescendo na companhia.
A recusa do cargo de chefia significa falta de esforço?
Esse pensamento é um erro das empresas. Essa situação só vira um problema se o colaborador passar a demonstrar apatia. A carreira em Y, como mencionamos antes, exige entregas de qualidade e não significa comodismo. Um estudo publicado pela Harvard Business Review mostra que ser especialista em um determinado campo gera tanto valor para as empresas quanto as posições de liderança.
Devo aceitar novas responsabilidades sem reajuste financeiro?
Essa é uma questão muito complicada. Negociar o reajuste salarial quando você ganha novas atribuições é uma tarefa que não deve ser ignorada. O aumento salarial precisa acompanhar as mudanças no escopo, mesmo quando não envolvam liderar uma equipe.
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