

Egberto Santana
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 14:47h.
Conseguir o primeiro estágio é um momento que gera muita ansiedade e dúvidas para a maioria dos universitários. Afinal, é a tão esperada hora de entrar de fato no mercado de trabalho e aplicar tudo aquilo que você aprendeu em sala de aula. Sem falar em receber seu próprio salário no fim do mês.
Para dar esse primeiro passo com segurança, preparamos este guia explicando tudo o que você precisa saber: qual a diferença entre estágio obrigatório e estágio não obrigatório, em qual deles você recebe bolsa, como escolher a vaga ideal para suas ambições profissionais e o que aumenta as chances de um estudante ser contratado. Confira abaixo!
Toda a relação entre você, a universidade e a empresa contratante é regulada pela Lei do Estágio, criada em 2008. Essa regra existe para garantir que a sua experiência profissional seja um complemento aos seus estudos.
O estágio obrigatório funciona como uma atividade prática prevista no projeto pedagógico do curso, e a carga horária é requisito para a obtenção do diploma. Em diversos cursos, essa experiência faz parte da própria formação acadêmica. Nesse tipo de estágio, a empresa não é obrigada por lei a oferecer bolsa ou auxílio-transporte, embora possa fazê-lo.
Já o estágio não obrigatório é uma atividade opcional, acrescentada à carga horária regular do estudante. Nesse caso, a Lei do Estágio determina que a empresa ofereça bolsa ou outra forma de contraprestação, além de auxílio-transporte.
Leia mais: Lei do estágio: o que é, regras e benefícios para estudantes
Nessa nova fase, é normal que o estudante tenha dúvidas sobre o processo de cada estágio. Afinal, é a primeira vez de muitos estudantes na rotina corporativa.
O estágio gera vínculo empregatício e assina a carteira de trabalho?
Não, nem o estágio obrigatório, nem o não obrigatório criam vínculo trabalhista nos moldes da CLT, o que significa que não há pagamento de FGTS nem de multa rescisória ao final do contrato de estágio. A relação é formalizada por um Termo de Compromisso de Estágio assinado por você, pela faculdade e pelo local de trabalho.
Qual é o limite de horas que posso trabalhar por dia?
A carga horária máxima permitida por lei é de seis horas diárias e 30 horas semanais para alunos do ensino superior. A ideia é que você tenha tempo hábil para estudar, fazer trabalhos e ir às aulas sem esgotar sua saúde física e mental.
Tenho direito a férias durante o período de contrato?
Sim, a lei garante um recesso remunerado de 30 dias para contratos que durem um ano, preferencialmente tirado durante as férias escolares. Se o seu contrato for inferior a 12 meses, os dias de descanso são proporcionais.
Antes de sair distribuindo currículos, descubra em qual semestre o estágio obrigatório é exigido e quantas horas são necessárias para fechar a disciplina. Algumas faculdades só permitem que o aluno assine contratos de estágio após o terceiro período, para garantir que ele já tenha uma base teórica mínima.
Se você faz administração, por exemplo, não faz sentido aceitar uma vaga para cuidar de redes sociais se o seu objetivo de carreira é atuar com finanças corporativas. Por isso, em vez de aceitar a primeira proposta que aparecer, leia a descrição das vagas com atenção. Além disso, muitas empresas oferecem um plano de aprendizado claro, podendo incluir trilhas exclusivas e mentorias, e têm histórico de efetivar talentos.
O estágio precisa ir além do aspecto financeiro. É um laboratório para a sua carreira, para entender com que tipo de tarefas e de empresas você se identifica.
Antes de assinar, leia o Termo de Compromisso e confira se o plano de atividades corresponde ao que foi combinado para a vaga, além de conter todas as informações necessárias sobre carga horária diária, férias e bolsa, se houver. Outro ponto é que todo estágio exige que o estudante esteja coberto por um seguro contra acidentes pessoais.
Leia mais: Como montar um currículo para estágio quando você não tem experiência profissional
Um erro cometido por muitos universitários é não conseguir dizer não e aceitar um volume de tarefas que vai além do limite de seis horas diárias. Nesse cenário, o estudante começa a fazer horas extras não remuneradas, pode perder o foco nos estudos e até mesmo ser reprovado nas matérias da universidade.
Outro erro é não considerar que, nos dias de prova, você tem o direito legal de reduzir sua carga horária por pelo menos à metade para conseguir estudar, desde que a instituição de ensino envie o calendário de avaliações para a empresa com antecedência.
Por outro lado, o grande acerto de quem consegue a efetivação rapidamente é ter postura proativa. Imagine um estudante de engenharia que, durante um estágio obrigatório, percebe um desperdício de material. Em vez de apenas anotar os dados na prancheta, ele monta uma alternativa propondo uma nova forma de trabalho que economiza os recursos. A empresa tende a valorizar mais esse profissional.
Leia mais: Como escolher entre dois estágios?
A sala de aula oferece muita teoria, enquanto o mercado de trabalho possui seus imprevistos, orçamentos apertados e necessidade de lidar com os clientes. Essa experiência prática ajuda a desenvolver sua inteligência emocional e ensina você a trabalhar sob pressão.
Além disso, estagiar é uma forma mais rápida de construir uma rede de contatos. Seus colegas de trabalho durante o estágio podem ser as mesmas pessoas que vão indicar seu nome para uma vaga no futuro.
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