
Marcela Marcos
Publicado em 16 de julho de 2026 às 19:10h.
Você provavelmente já encontrou uma vaga de emprego que parecia perfeita, enviou o currículo e nunca recebeu resposta? Ou, ainda: percebeu que o mesmo anúncio continua publicado meses depois? Situações assim ajudam a explicar um fenômeno que ganhou destaque nos últimos anos: as chamadas vagas de emprego “fake”.
A seguir, a gente te explica o que são essas vagas, por que algumas empresas adotam essa prática e como evitar perder tempo durante a busca por emprego. Confira:
O termo costuma ser usado para descrever anúncios de vagas que não resultam em contratação. Isso pode acontecer por diferentes motivos. Algumas vagas já foram preenchidas, mas continuam publicadas. Outras servem para formar um banco de talentos. Há também situações em que a empresa precisa cumprir etapas burocráticas de recrutamento antes de efetivar uma contratação.
O fenômeno é conhecido internacionalmente como “ghost jobs” ou “vagas-fantasma”. De acordo com especialistas ouvidos neste artigo da Forbes, essas vagas podem existir mesmo quando não há intenção imediata de contratar alguém para a posição anunciada.
Em algumas organizações, especialmente as maiores, os processos internos exigem que a oportunidade profissional seja divulgada publicamente antes da contratação.
Isso pode acontecer quando existe um candidato interno já identificado ou uma indicação, e a empresa precisa cumprir regras de governança e auditoria.
Nesses casos, a vaga é publicada formalmente, mas a decisão sobre quem ocupará a posição pode já estar encaminhada.
Outra prática comum é manter anúncios ativos para reunir currículos de pessoas interessadas em trabalhar na organização.
A empresa pode não ter uma necessidade urgente naquele momento, mas utiliza as candidaturas para acelerar futuras contratações.
Para o recrutador, isso reduz o tempo necessário para encontrar interessados quando uma vaga real surgir.
Algumas companhias usam anúncios para entender a disponibilidade de profissionais, as competências mais encontradas e as expectativas salariais.
Essas informações ajudam a planejar contratações futuras e a definir estratégias de recrutamento.
Um dos motivos mais controversos envolve a percepção de mercado. Segundo uma pesquisa mencionada pelo Times Brasil (CNBC), 4 em cada 10 empresas divulgam “vagas fantasmas”, e 7 em cada 10 empregadores consideram essa prática moralmente aceitável.
O raciocínio por trás dessa estratégia é que publicar vagas que não serão preenchidas pode funcionar como um sinal externo de expansão: a empresa passa a impressão de que está contratando porque está crescendo. Ou seja, reforça a ideia de que o negócio está saudável, com demanda crescente e necessidade de aumentar equipe, o que pode ajudar na reputação perante investidores, clientes e candidatos.
Nenhum sinal isolado é prova de que uma vaga não é real. Mas alguns indícios merecem atenção. Veja só:
Anúncios que ficam publicados por mais de 30 dias sem qualquer atualização podem indicar que a posição já foi preenchida ou que não existe uma contratação ativa em andamento.
Quando o anúncio não explica responsabilidades, requisitos ou informações básicas sobre a posição, pode ser um sinal de que o objetivo principal é captar currículos.
Se uma vaga desaparece e retorna várias vezes ao longo do ano, vale investigar se a empresa realmente está contratando para aquela função.
No LinkedIn, algumas vagas acumulam milhares de candidaturas em poucos dias. Embora isso não indique necessariamente um problema, pode sugerir que o anúncio está sendo usado mais para ampliar o alcance da marca empregadora ou alimentar um banco de talentos.
Uma boa prática é conferir se a oportunidade também está publicada na página de carreiras da organização. Especialistas recomendam priorizar candidaturas feitas pelos canais oficiais da empresa.
Na maioria dos casos, sim. Mesmo quando uma vaga está sendo usada para formação de banco de talentos, o currículo pode ser considerado em oportunidades futuras.
Além disso, é impossível saber com certeza, apenas olhando o anúncio, se existe ou não uma contratação em andamento.
O mais importante é equilibrar o tempo investido. Em vez de concentrar energia em uma única vaga, mantenha candidaturas em diferentes empresas e acompanhe os processos seletivos de forma organizada.
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O que é uma vaga fantasma?
É uma vaga publicada mesmo quando não existe uma contratação ativa em andamento ou quando a posição já foi preenchida. O termo em inglês mais usado é “ghost job”.
Toda vaga antiga é falsa?
Não. Algumas posições permanecem abertas porque a empresa está sempre contratando para a mesma função ou porque o processo seletivo é longo.
Empresas realmente publicam vagas sem intenção de contratar?
Sim. Pesquisas mostram que algumas organizações utilizam anúncios para construir bancos de talentos, medir o mercado ou transmitir uma imagem de crescimento.
Vale a pena enviar currículo para uma vaga que parece antiga?
Sim, desde que a oportunidade esteja alinhada ao seu perfil. O ideal é diversificar as candidaturas e não depender de uma única seleção.
Como saber se a vaga é legítima?
Verifique se ela está publicada nos canais oficiais da empresa, procure informações sobre o processo seletivo e avalie se a descrição apresenta detalhes concretos sobre a função e as responsabilidades.