

Redação Na Prática
Publicado em 9 de junho de 2026 às 08:00h.
O episódio a seguir costuma ser um evento canônico na vida de muitos jovens profissionais. Um belo dia você acorda e pensa: “por que mesmo estou indo trabalhar hoje?” Se você já passou por essa situação saiba que isso é reflexo de um desalinhamento da sua carreira com seu propósito. O “Ikigai” vem justamente para ajudar a encontrá-lo.
O Ikigai funciona como um mapa para conectar o que você gosta, no que você é bom e o que pode, de fato, virar carreira. É uma forma mais organizada de responder uma pergunta que faz muita gente travar: qual caminho profissional seguir?. E o melhor: sem ignorar uma parte essencial da vida adulta: ganhar dinheiro.
Afinal, tão importante quanto trabalhar com propósito e ter uma fonte de renda sustentável.
Neste nosso conteúdo, explicamos para você o que é o Ikigai, como encontrá-lo e como sair da apatia e do piloto automático que podem estar tomando conta da sua carreira.
O termo “ikigai” vem do japonês: “iki” (vida) + “gai” (valor). Ou seja, “o que dá valor à sua vida”, ou algo como um motivo para acordar de manhã, para além de desligar o despertador e sobreviver ao dia.
A ideia ganhou força fora do Japão com os estudos de Dan Buettner, que analisou regiões onde as pessoas vivem mais e melhor. Um dos principais exemplos é Okinawa. Por lá, muitas pessoas continuam ativas mesmo depois dos 80, 90 anos de idade. O trabalho é parte da identidade delas e está muito longe de ser uma obrigação.
Hoje, essa lógica vem sendo aplicada no mercado de trabalho como uma forma de evitar burnout e criar uma relação mais saudável com a carreira, ajudando, inclusive, na prevenção do esgotamento mental.
Quando você trabalha muito longe do que acredita ou gosta, o resultado costuma ser o desgaste. Por isso, o ikigai funciona como uma bússola de direcionamento de carreira, muito útil principalmente no início da vida profissional.
Quem consegue trabalhar mais próximo do próprio propósito costuma ter mais clareza nas decisões e mais resiliência diante de crises corporativas. Não porque o trabalho vira “perfeito”, mas porque faz mais sentido continuar.
Além disso, sabendo seu ikigai, fica mais fácil responder por que você quer trabalhar em uma determinada empresa, durante a entrevista de emprego.
O método gira em torno de quatro esferas que se cruzam (conforme a imagem de destaque desta matéria):
Em primeiro lugar pense no que prende sua atenção de verdade. Principalmente aquelas coisas que você faria sem ser obrigação.
Vale tudo: editar vídeo, montar planilhas, escrever, cozinhar, organizar eventos. O foco aqui é identificar os temas que despertam interesse, sem pensar em dinheiro.
Uma técnica muito comum neste ponto é você pensar no que você gostava de fazer na infância e na adolescência e que acabou deixando de lado conforme as obrigações da universidade e da vida profissional começaram a tomar conta do seu tempo.
Agora é a hora de ser realista. No que você manda bem?
Considere feedbacks, elogios, projetos que deram certo. Aqui entram tanto hard skills quanto soft skills, isto é, suas habilidades técnicas e comportamentais.
Nem tudo o que você gosta vira carreira. O ponto aqui é observar tendências e mapear o que as empresas estão buscando. Quais são os problemas atuais do mercado de trabalho que você poderia ajudar a resolver? E quais são as profissões que mais têm tendência de crescimento?
Para ajudar na sua resposta, fique de olho em reports e levantamentos feitos pelo LinkedIn sobre habilidades em alta e carreiras com mais demanda, publicados periodicamente pela rede.
Agora entramos em um ponto sensível: como transformar tudo isso em dinheiro?
Cruze suas habilidades com o que o mercado paga. Veja vagas, salários, formatos de trabalho. Identifique o que tem potencial de gerar receita para você, seja como emprego, freela ou negócio próprio.
Por fim, o seu ikigai está onde tudo isso se encontra. Se você ama algo, mas não paga as contas, vira hobby. Se paga bem, mas você odeia, vira sofrimento.
Esqueça a pressão por acertar de primeira. O objetivo é ajustar a sua rotina para aproximar esses quatro pontos.
Um erro clássico de quem está buscando o ikigai é querer mudar tudo de uma vez. Dá para entender quem chega a esse ponto. Às vezes a pessoa está tão saturada com a própria rotina que não vê a hora de jogar tudo para o alto. Só que a ideia aqui não é fazer uma mudança radical e imediata de carreira, mas testar caminhos com segurança.
Exemplo: você trabalha com finanças, mas gosta de gastronomia. Em vez de largar tudo, pode começar oferecendo consultoria financeira para restaurantes, unindo duas áreas.
Esse tipo de movimento reduz o risco de a nova empreitada não dar certo e ainda ajuda a validar ideias de maneira prática.
Outro ponto importante é que seu propósito não é fixo. Ao longo da vida, suas prioridades e seus desejos mudam. E o mercado também. Por isso, seu ikigai precisa ser revisto sempre que você notar que está havendo esse desalinhamento entre propósito e carreira.
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O ikigai precisa obrigatoriamente ser a minha fonte de renda principal?
Não. E isso tira um peso enorme. Muita gente encontra propósito em projetos paralelos, voluntariado ou hobbies. Você pode ter um trabalho mais estável e, ao mesmo tempo, desenvolver algo que conecta com seu ikigai.
Ikigai é só para quem já sabe o que quer da carreira?
Não. Pelo contrário. Ele é ainda mais útil para quem está perdido. O método ajuda justamente a organizar ideias, testar caminhos e reduzir a ansiedade de precisar ter “tudo resolvido”.
Preciso escolher só uma coisa para ser o meu ikigai?
Também não. Seu ikigai pode envolver mais de uma atividade ou interesse ao mesmo tempo. É comum, principalmente no início da carreira, combinar diferentes áreas até entender melhor o que faz sentido manter no longo prazo.
Dá para aplicar o ikigai mesmo estando em um emprego que não gosto?
Sim, e essa é uma das formas mais inteligentes de começar. Você pode usar o seu trabalho atual como fonte de renda enquanto explora outras possibilidades, sem precisar tomar decisões impulsivas.