

Marcela Marcos
Publicado em 10 de julho de 2026 às 12:25h.
Você já saiu de uma reunião com a sensação de que cada pessoa entendeu uma coisa diferente? Ou percebeu que alguém respondeu uma pergunta que nem tinha sido feita? Se já passou por esses episódios, pode ser sinal de dificuldades relacionadas à escuta ativa.
A escuta ativa é um dos aspectos mais importantes da comunicação no trabalho. Quando ela falha, o retrabalho aumenta, os projetos atrasam e os conflitos aparecem.
Para 53,9% dos gestores no Brasil, alcançar uma comunicação eficaz é o principal desafio das empresas, enquanto 58,8% ainda não têm programas estruturados para apoiar a comunicação dos gestores. Esses dados são de uma pesquisa da Progic, em parceria com a Indicafix. Daí a importância de se atentar à escuta ativa, principalmente no início de carreira!
A diferença entre ouvir e escutar parece pequena, mas se amplifica no ambiente profissional.
Enquanto ouvir é apenas captar sons, escutar com a devida atenção exige compreender o contexto por trás do discurso, entender o conteúdo e as intenções de quem está falando. Vai além de pensar no que dizer e esperar a sua vez de falar.
Durante uma conversa, isso significa prestar atenção às informações apresentadas, aos exemplos utilizados e às preocupações demonstradas. A pessoa que desenvolve essa habilidade consegue identificar necessidades, esclarecer dúvidas e evitar falhas de interpretação antes que elas se transformem em problemas maiores.
Sabe quando você está em uma reunião e percebe que um colega está aproveitando aquele momento para responder e-mails ou alinhar demandas com pessoas que não estão na sala? Essa é uma prática péssima para quem quer desenvolver a escuta ativa no trabalho.
Para evitar que isso aconteça, durante uma reunião presencial ou virtual, feche as abas do navegador que não serão utilizadas, silencie as notificações e evite consultar o celular.
Além disso, manter o contato visual com quem está falando demonstra interesse e ajuda a acompanhar melhor o raciocínio apresentado.
A escuta ativa não acontece apenas em silêncio. Fazer boas perguntas ajuda a aprofundar a conversa e permite que a outra pessoa desenvolva melhor suas ideias.
Em vez de perguntar algo que pode ser respondido com “sim” ou “não”, experimente questões como:
Uma das formas mais simples de confirmar entendimento é reformular aquilo que acabou de ser dito. Por exemplo:
“Então, se entendi corretamente, a equipe vai concluir essa etapa antes de iniciar os testes. É isso?”
Essa técnica, além de gerar engajamento, ajuda a alinhar expectativas e diminui o risco de ruídos de comunicação.
Muitas pessoas começam a pensar no que vão responder enquanto a outra pessoa ainda está falando. Esse hábito reduz a qualidade da escuta porque a atenção deixa de estar na conversa e passa a estar na resposta.
Pior ainda é interromper a outra pessoa para colocar logo o seu ponto.
Para evitar essas atitudes, a recomendação é aguardar a conclusão da fala antes de apresentar sua opinião. Se for uma reunião presencial, você pode anotar seus pontos e pedir a palavra em seguida. No online, muitas ferramentas contam com um botão de “levantar a mão”, para indicar que você será o próximo a falar.
Alguns comportamentos dificultam o entendimento mesmo quando existe boa intenção, sendo que um dos mais comuns é tirar conclusões antes do fim da explicação. Quando isso acontece, o cérebro passa a preencher lacunas por conta própria e deixa de prestar atenção ao restante da conversa.
Também vale evitar julgamentos relacionados à forma como a pessoa fala, como sotaque, velocidade da fala ou características pessoais.
A comunicação influencia praticamente todas as atividades de uma empresa. Uma pessoa que compreende as demandas com clareza tende a executar melhor suas tarefas. A Gallup aponta em seus relatórios sobre engajamento que falhas de comunicação estão entre os fatores que prejudicam a conexão entre profissionais e empresas.
O tema também apareceu na Harvard Business Review. No artigo Are You Really a Good Listener?, os autores destacam que bons ouvintes não são os que permanecem em silêncio. São os que demonstram interesse, fazem perguntas e ajudam a aprofundar a conversa.
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Qual é a diferença entre ouvir e ter escuta ativa?
Enquanto ouvir é apenas captar sons, na escuta ativa você interage com o interlocutor, esclarece todos os pontos da fala e mostra que entendeu a mensagem.
Como agir quando a pessoa fala demais?
A situação é comum em reuniões e apresentações. Nesses casos, espere uma pausa natural e faça um resumo do que foi discutido até aquele momento. Depois, direcione a conversa para o próximo tópico. Essa abordagem ajuda a manter o foco sem interromper de maneira brusca.
O que fazer quando discordo do que está sendo dito?
A discordância não impede a escuta ativa. Antes de responder, procure entender o raciocínio apresentado. Só depois organize seus argumentos. Esse intervalo ajuda você a estruturar uma argumentação lógica e madura e aumenta as chances de uma conversa produtiva.
A escuta ativa funciona em chamadas apenas por áudio?
Sim. Quando não existem elementos visuais, torna-se ainda mais importante prestar atenção ao tom de voz, às pausas e às informações compartilhadas.