
Egberto Santana
Publicado em 8 de julho de 2026 às 13:12h.
Você já reparou que quando um problema surge no trabalho ou na universidade geralmente aparece algum colega com uma “solução simples” na ponta da língua, mas que muitas vezes acaba levando a dificuldades ainda maiores? Isso acontece porque muitas decisões são tomadas no impulso, sem que haja pensamento crítico no processo.
O pensamento crítico no trabalho é uma das habilidades mais valorizadas do mercado, porque incentiva que você dê um passo atrás, analise o cenário como um todo, faça perguntas melhores e separe fato de opinião.
Para quem está em início de carreira, é fundamental mostrar que consegue fugir de soluções rasas e se aprofundar nos problemas encontrados. Essa é uma habilidade que pode ser trabalhada e fará a diferença em entrevistas, estágios, programas de trainee e projetos em equipe. Veja abaixo como fazer isso.
O pensamento crítico no ambiente profissional não significa discordar de tudo. O conceito envolve analisar fatos de maneira objetiva, fazer perguntas e entender o que existe por trás de um problema.
Por exemplo, quando o gestor pede uma apresentação com urgência porque os resultados de uma campanha caíram, a reação de muita gente seria abrir logo o PowerPoint e montar slides com todas as informações disponíveis. Já a reação com pensamento crítico seria olhar os dados e perguntar:
O raciocínio ajuda você a avaliar os dados disponíveis e propor caminhos relacionados a essas informações, sem agir por impulso e com contribuição real para a solução.
A técnica dos cinco porquês foi popularizada por ter sido aplicada no Sistema Toyota de Produção. Com essa técnica, o profissional pergunta “por que” algumas vezes até sair do sintoma e encontrar a causa raiz de um problema.
Exemplo:
As vendas caíram neste mês.
A primeira resposta apontava para vendas. Depois das perguntas, o problema parece estar ligado a processos e organização. Esse exercício evita que você fique apenas apagando incêndios e ajuda a propor soluções mais assertivas.
Antes de você propor uma ideia, pergunte a si mesmo:
Para apoiá-lo nos questionamentos acima, você também pode utilizar ferramentas de Inteligência Artificial. É possível pedir para a tecnologia atuar, por exemplo, como um gestor de projeto e criticar sua ideia. Dessa forma, você antecipa possíveis perguntas que possam surgir na vida real.
O início da carreira costuma trazer desafios que parecem maiores do que são. Não é incomum você se deparar com tarefas como “melhorar o engajamento dos clientes”, “organizar um evento” ou “aumentar a produtividade da equipe”. O que fazer nessas horas para propor soluções que realmente resolvam o problema?
A saída é fatiar uma dificuldade em partes menores. No exemplo da tarefa de melhorar o engajamento dos clientes, você pode questionar quem são os clientes menos engajados, em qual etapa eles desaparecem, quais canais têm resposta melhor, quais mensagens funcionaram antes e o que depende de mim e o que depende de outra área.
Essa análise facilita a visão de prioridades, limites e passos seguintes e acelera a construção de um plano de ação.
Esta é uma etapa fundamental para fazer perguntas melhores. Ir a fundo em um problema também passa por ter diferentes conhecimentos, vivências e experiências. É aí que entra o hábito de consumir conteúdos de diversas áreas.
Assim, um profissional de tecnologia pode estudar comportamento do consumidor para ter insights para as ferramentas que está desenvolvendo. Da mesma forma, alguém do RH pode aprender análise de dados para identificar gargalos nas equipes, enquanto um especialista em marketing pode acompanhar temas de finanças, produto e atendimento para tomar decisões mais completas sobre suas campanhas.
Esse contato com diferentes áreas ajuda a combater o viés de confirmação e aumenta a capacidade de conectar ideias distantes.
Leia mais: Tomada de decisão na carreira: 5 caminhos para otimizar esse processo
O erro mais frequente é a paralisia por excesso de análise. Os profissionais que tentam prever todos os cenários de risco acabam perdendo os prazos e podem engessar a operação da empresa. O objetivo precisa ser tomar a melhor decisão possível com os dados disponíveis naquele momento.
Outra armadilha é confundir pensamento crítico com arrogância. Fazer perguntas difíceis é fundamental, mas a forma de abordagem também pesa na aceitação da ideia. Em vez de atacar o projeto de um colega de trabalho, substitua por perguntas exploratórias e colaborativas, como: “Quais indicadores nos levam a essa direção?” ou “Como lidaríamos com tal obstáculo?”.
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