Como evitar a armadilha da sensação de produtividade

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Egberto Santana

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 14:17h.

Muitas pessoas caem na armadilha de confundir estarem ocupadas com produtividade real e acabam preenchendo suas agendas com tarefas que não geram resultados concretos.

São atividades que criam uma ilusão de avanço, mas que, na verdade, não movem a agulha dos objetivos reais. Incluem reuniões longas, sem direcionamento, nas quais nenhuma decisão é tomada; tempo dedicado a responder e-mails irrelevantes e sem urgência, a reorganização de planilhas que já funcionam adequadamente ou a elaboração de listas de tarefas que acabam adiadas — ou que nunca serão cumpridas.

Realizar tarefas como essas traz uma sensação de produtividade, ou um “sabor produtividade”, para usar a expressão que viralizou no começo de 2026.

Essa sensação costuma ser alimentada por um excesso de teoria e por um planejamento que nunca chega à fase da ação. O risco é dedicar muito tempo às tarefas sem importância e acabar estagnando.

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Para escapar desse ciclo, é preciso que o planejamento esteja atrelado à execução, e não o contrário. Veja abaixo como metodologias como o SMART e o Effectuation podem ser aplicadas para evitar a sensação de produtividade, transformar metas em hábitos e alcançar os resultados que você espera.

Planejamento vs. execução: como objetivos claros evitam a sensação de produtividade

O planejamento e a execução são cíclicos e complementares: enquanto o primeiro funciona como um GPS que fornece direção e controle, o segundo é o que permite recalcular a rota com base na realidade.

Sem um objetivo claro, qualquer caminho serve, o que leva à dispersão de energia em tarefas menos importantes, à sensação de produtividade e à frustração de ver planos engavetados.

Estudos apontam que é muito importante documentar objetivos. Segundo eles, pessoas com metas detalhadas e escritas costumam alcançar mais resultados. Ter objetivos claros gera o foco necessário para não se perder em distrações. Além disso, a prática de estabelecer metas ambiciosas, mas claras, funciona como uma “âncora” que nos motiva.

Para evitar a paralisia pelo planejamento, é importante saber como finalizar os projetos. Muitos profissionais focam apenas em começar novos projetos, mas o diferencial competitivo está em finalizar o que foi proposto, mesmo que em uma versão inicial.

Leia mais: Não basta começar, tem que terminar: técnicas para gerenciar suas tarefas e concluir projetos com sucesso (a chave da capacidade de execução)

Do impacto real ao Método SMART: como agir com o que você tem

Para que o planejamento não seja apenas uma fonte de “sensação de produtividade”, ele deve focar no que gera impacto real na carreira e na vida. O uso do Método SMART é uma boa opção, pois transforma desejos vagos em metas. Segundo essa metodologia, as metas precisam ser específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e temporais. Uma meta bem estruturada deve ter um número e um prazo claro, como realizar um número específico de exercícios físicos até o fim do ano, facilitando o acompanhamento do progresso.

Outro conceito essencial é o Effectuation, que propõe a lógica de começar com o que já tem à sua disposição. Em vez de esperar pelas condições ideais ou por recursos que ainda não possui (lógica causal), você deve agir com base em quem você é, no que sabe e em quem conhece hoje. Isso quebra a inércia e evita desculpas comuns que adiam o início da execução.

Priorizar o que é está na sua mão evita o erro de tentar resolver todos os problemas da vida simultaneamente. Ao definir prioridades e aplicar o SMART nelas, você garante que o esforço seja canalizado às questões mais urgentes.

Metas e hábitos: a engrenagem da consistência de longo prazo

A produtividade também depende da compreensão da diferença entre meta e hábito: enquanto a meta é um evento episódico e focado no futuro (o que você quer alcançar), o hábito é um padrão automático que ocorre no presente (quem você é repetidamente).

As metas dão a direção, mas são os hábitos que determinam a velocidade com que você chegará lá. Criar rotinas que facilitem comportamentos positivos é a chave para a execução de longo prazo.

A ciência por trás da consistência envolve o ciclo do hábito, composto por gatilho (estímulo), ação (rotina) e recompensa. Para instalar um novo hábito saudável, como estudar ou se exercitar, é preciso identificar os gatilhos que iniciam a ação e garantir que haja uma satisfação imediata ao concluí-la.

Para manter a consistência, especialmente no início da sua execução, é crucial focar em pequenas vitórias. Celebrar cada etapa vencida ajuda a manter o engajamento emocional. No início de um plano, o foco deve ser no progresso e no apoio social; no fim, a motivação deve ser resgatada nos motivos essenciais e no propósito que o levou a começar.

Execução como critério de clareza e crescimento profissional

No fim das contas, profissionais que avançam são aqueles que entendem que planejar é bem importante, mas agir de forma consistente é indispensável. O planejamento ganha valor quando é flexível o suficiente para ser ajustado pela prática, e a execução se torna mais eficiente quando guiada por objetivos claros e mensuráveis.

Ao combinar métodos como SMART e Effectuation com a construção de hábitos sólidos, você transforma intenção em ação e ação em resultado. Em vez de buscar o plano perfeito, o melhor caminho é começar com o que você já tem, aprender com o processo e ajustar a rota conforme as necessidades surgirem.

É esse movimento contínuo — planejar, executar, revisar e repetir — que constrói competência, diferencia profissionais e gera impacto concreto ao longo do tempo, evitando, assim, a sensação de produtividade.

Leia também: Ainda dá tempo de fazer um diagnóstico de 2025 para impulsionar sua carreira em 2026

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