

Egberto Santana
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 10:20h.
Metas desalinhadas, falhas de comunicação, disputa por prioridade, diferenças de perfil ou mensagens interpretadas de forma errada. Tudo isso faz parte do trabalho, mas não pode virar motivo de desgaste. Por isso, a possibilidade de precisar realizar a gestão de conflitos no trabalho pode aparecer para qualquer profissional em algum momento da carreira.
Tanto é que um estudo da Acas, órgão trabalhista do Reino Unido, realizado em 2025, mostrou que 44% dos adultos em idade de trabalho vivenciaram algum tipo de conflito no trabalho nos 12 meses anteriores.
A gestão de conflitos no trabalho é uma forma de conduzir uma conversa entre duas pessoas que estão discutindo ou passando por um problema decorrente das decisões do ambiente corporativo.
A mediação cria um espaço de fala, e a pessoa envolvida explica seu ponto de vista, escuta o outro lado e participa da construção de um combinado.
Junto do mediador, os colaboradores fecham um acordo para chegar em uma solução. O papel do mediador deve ser o de encontrar um ponto em comum entre os envolvidos, nunca favorecer um lado ou outro.
A mediação de conflitos pode seguir quatro etapas pensadas para organizar a conversa e reduzir a chance de o problema crescer. Confira abaixo.
O primeiro passo é saber o motivo do conflito. Por exemplo, atraso na entrega, comentário feito em uma reunião ou falta de prioridade. Cada um deles pode esconder problemas sobre falta de clareza, retrabalho ou indefinição do papel de cada um.
Em seguida, converse com cada envolvido antes de um encontro geral para entender fatos, impactos e expectativas; pergunte o que aconteceu, qual foi o impacto no trabalho, qual combinado existia, o que cada pessoa esperava da outra e o que precisa mudar.
Durante esse processo, algumas perguntas contribuem para que todos possam entender o problema. Alguns exemplos são: o prazo estava claro? A pessoa tinha todas as informações? A aprovação dependia de outra área? O combinado foi registrado?
Essas informações evitam que a reunião vire uma troca de acusações e tenha como propósito resolver o ocorrido.
A conversa deve acontecer em uma sala reservada ou em uma videochamada privada de forma a oferecer espaço para resolver o problema e permitir que as pessoas possam falar com mais clareza. Também evite marcar essa reunião no auge da irritação para não aumentar o problema.
Para marcá-la, envie um convite como: “Quero alinhar o que aconteceu nesse projeto e combinar um fluxo melhor daqui para frente.” A frase mostra que a conversa tem um objetivo e reduz a sensação de confronto.
A reunião precisa começar com um combinado, no qual cada pessoa deve explicar sua visão sem interrupções e sem ataques pessoais. Esse é o processo de escuta ativa, que envolve atenção, perguntas e checagem de entendimento.
O mediador pode repetir o que ouviu para confirmar a mensagem. Frases como “então, o impacto para você foi o atraso na entrega”, “pelo que entendi, o problema começou na mudança de prioridade” e “você consegue dar um exemplo do que aconteceu?” ajudam a transformar queixas em fatos.
A conversa deve sair da acusação e ir para comportamento, processo e impacto, sempre buscando o equilíbrio de fala entre os dois participantes para ninguém sair prejudicado.
A mediação deve terminar com um acordo, com prazos, canais de comunicação e formas de agir em caso de nova discordância. Em um conflito sobre atraso, por exemplo, o acordo pode criar checkpoints semanais; se for sobre revisão, pode definir quem aprova a versão final.
Também é importante registrar o que foi combinado para que todos tenham fácil acesso e evitar interpretações diferentes. O acordo precisa ser simples o suficiente para que todas as pessoas envolvidas saibam o que foi definido.
Leia mais: Como aplicar a comunicação não-violenta no trabalho em equipe e desarmar conflitos
O erro mais comum é o mediador agir como um juiz e proferir o veredito sobre o que aconteceu de modo parcial e inadequado. Essa atitude vai gerar mais ressentimento e prejudicar a confiança que as pessoas tinham em você.
Também é comum tentar abafar o problema dizendo que o tempo diluirá os atritos naturalmente. Só que ignorar um problema acaba por prolongar o desgaste do clima organizacional.
Leia mais: Inteligência Emocional: o que é, pilares, como medir e como desenvolver
Os profissionais que atuam com gestão de conflitos demonstram alto nível de inteligência emocional, característica valorizada no mercado de trabalho, principalmente para quem está ou busca chegar em posições de gerência ou direção. O mercado reconhece quem resolve problemas de convivência.
Claro que também é possível assumir a mediação no dia a dia sem assumir o papel da liderança. O ponto é agir com clareza quando uma divergência ameaça travar uma entrega e procurar ouvir, separar fatos de interpretações e propor um caminho.
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