Aprenda como fazer um Diagrama de Ishikawa passo a passo para encontrar a raiz de qualquer problema

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Redação Na Prática

Publicado em 24 de abril de 2026 às 12:59h.

Todo mundo que já fez estágio, participou de projeto na faculdade ou entrou no primeiro emprego conhece essa situação: surge um problema, alguém tenta resolver rápido… e ele volta dias depois. Situações assim ilustram a famosa frase: muitas vezes, a gente está atacando os sintomas superficiais e resolvendo o efeito — não a causa.

É exatamente esse problema que o Diagrama de Ishikawa, também chamado de “espinha de peixe”, busca resolver: um esquema visual que ajuda a organizar as possíveis causas de um problema, facilitando a análise em grupo e direcionando seu time para a solução real do problema.

O que é o diagrama espinha de peixe e a sua origem na gestão de qualidade

O diagrama de Ishikawa é uma ferramenta visual usada para entender relações de causa e efeito dentro de qualquer processo estruturado.

O método foi criado em 1943 por Kaoru Ishikawa, engenheiro japonês que buscava um método simples para ajudar operários e gestores a identificar variações de qualidade sem a necessidade de cálculos complexos.

O formato ficou conhecido no mundo todo e logo ganhou o apelido de diagrama espinha de peixe porque lembra exatamente isso:

  • O problema fica na “cabeça” (lado direito)
  • As possíveis causas se espalham como “espinhas” ao longo de uma linha central

O grande diferencial é que ele obriga você a olhar o problema por vários ângulos: pessoas, processos, ferramentas, ambiente…

Isso garante uma visão total do fluxo de trabalho, impedindo que detalhes importantes sejam ignorados, aumentando muito a chance de encontrar a causa real.

O método na prática: como fazer um Diagrama de Ishikawa passo a passo

Para começar o seu próprio Diagrama de Ishikawa e começar a resolver de verdade os problemas que aparecerem, você não precisa de nenhuma ferramenta sofisticada. Dá para fazer no papel, no Miro, no Excel ou até em um slide. E a gente organizou os passos para facilitar:

1. Defina o problema de forma específica

O primeiro passo é ter clareza absoluta sobre o que precisa ser resolvido. Evite termos genéricos como “baixa produtividade“.

Prefira algo mensurável e direto, como “os relatórios estão sendo entregues com 3 dias de atraso”. Escreva esse problema dentro de um quadrado do lado direito da folha.

Quanto mais específico, mais fácil encontrar a causa.

2. Trace a linha central e prepare as categorias

A partir do quadrado onde você escreveu o problema, puxe uma linha reta horizontal para o lado esquerdo.

Essa será a espinha dorsal do seu gráfico. A partir dela, você puxará linhas diagonais menores, que representarão as categorias de análise.

3. Utilize o conceito tradicional dos 6Ms

Os 6Ms ajudam a não deixar nenhum fator importante de fora. São os seguintes:

  • Método: os processos, regras, manuais e fluxogramas fazem sentido ou estão desatualizados?
  • Máquina: ferramentas, softwares, computadores ou sistemas estão atrapalhando? Precisam de manutenção?
  • Material: as informações (como os dados para uma análise) ou insumos têm qualidade?
  • Mão de obra: a equipe envolvida recebeu o treinamento adequado para a função ou está sobrecarregada?
  • Medida: os indicadores de desempenho e as métricas de avaliação estão medindo o sucesso de forma correta?
  • Meio ambiente: o contexto (trabalho remoto, escritório, ruído, etc.) ou é mesmo o clima influencia o resultado?

4. Conduza um momento de coleta de ideias

Aqui está um passo que faz toda a diferença. Com a estrutura do Diagrama de Ishikawa montada, chame quem realmente participa do processo (não só quem gerencia) para compartilhar ideias. Muitas vezes, quem está no dia a dia enxerga problemas que passam despercebidos.

Vale usar dinâmica simples:

5. Eleja as causas principais e crie o plano de ação

Após preencher as espinhas com dezenas de fatores, o grupo deve votar e destacar quais são as causas de maior impacto no problema.

A partir disso, defina o que será feito, quem será responsável e até quando será feito (isto é, o prazo).

E uma dica prática é que você pode combinar o Diagrama de Ishikawa com o Diagrama de Pareto para priorizar as que mais impactam o problema.

Erros comuns ao fazer o Diagrama de Ishikawa

Um erro clássico ao aplicar essa ferramenta é tentar preencher o gráfico sozinho, sendo que o ponto forte deste método é justamente a pluralidade de ideias para resolver o problema.

Outra falha é parar na primeira explicação, sem perguntar sucessivas vezes o motivo daquele problema existir.

Agora, imagine uma startup com muitos cancelamentos de clientes. O Diagrama de Ishikawa pode mostrar causas como:

  • onboarding complicado (Método)
  • demora no suporte (Mão de obra)
  • falhas no app (Máquina)

E, indo além, ao aplicar o Diagrama de Pareto, a equipe pode descobrir que 80% dos cancelamentos vêm de apenas 2 causas principais. Pronto, aí a raiz central do problema passa a ser conhecida e o plano de ação pode ser montado.

Por que dominar como fazer o Diagrama de Ishikawa a analisar a causa raiz impulsiona sua carreira

Outro erro comum no começo da carreira é que muita gente acha que precisa ter todas as respostas, mas o que mais chama atenção no ambiente profissional é saber fazer as perguntas certas e resolver crises com base em dados e lógica.

Assim, quando você usa ferramentas como Ishikawa, você mostra que consegue:

  • Ir além do superficial: não aceita a primeira explicação pronta
  • Organizar problemas complexos: transforma algo confuso em algo visual e claro
  • Trabalhar melhor em grupo: cria um espaço onde todo mundo contribui

E também tem alguns ganhos práticos no dia a dia:

  • Menos retrabalho: você resolve o problema de verdade, não só por um tempo
  • Comunicação mais clara: o formato visual facilita o entendimento de pessoas de diferentes áreas
  • Prevenção de riscos futuros: você consegue agir preventivamente antes que o erro chegue ao cliente final

A capacidade de resolver problemas é uma das características valorizadas no mercado de trabalho. Outras incluem a construção de rede, a capacidade de execução, a ambição e o protagonismo (autoliderança). E se você quiser desenvolvê-las, inscreva-se já no curso gratuito Carreira de Excelência, do Na Prática. Acesse aqui.

FAQ — Perguntas e Respostas sobre como fazer o Diagrama de Ishikawa

O que é o Diagrama de Ishikawa e para que serve?
É uma ferramenta visual usada para identificar as possíveis causas de um problema. Ele ajuda a organizar ideias em grupo e a ir além das explicações superficiais, facilitando a busca pela causa real.

Preciso de alguma ferramenta específica para usar o Ishikawa?
Não. Dá para montar o diagrama no papel, em um quadro branco ou em ferramentas digitais simples como Excel ou slides. O mais importante é a clareza na definição do problema e a participação do time.

Qual o erro mais comum ao usar o Diagrama de Ishikawa?
Um dos principais erros é tentar fazer tudo sozinho ou parar na primeira explicação encontrada. O método funciona melhor quando envolve diferentes pessoas e quando as causas são analisadas com mais profundidade antes de tomar decisões.

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