Vencedores do Prêmio Na Prática – Protagonismo Universitário participam de imersão de uma semana na China

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Felipe Giacomelli

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 15:58h.

Arrumar a mala para passar uma semana na China não é como se preparar para qualquer viagem. É necessário levar casacos pesados — uma vez que a temperatura prevista chegava a -6°C — liberar espaço no celular para registrar tudo o que fosse ver, garantir que as palavras básicas em mandarim estivessem na ponta da língua e não se esquecer, também, de um caderno ou tablet para não deixar nada passar.

Isso sem falar em controlar a ansiedade e a expectativa. Afinal, não é todo dia que se embarca para o outro lado do mundo para ficar cara a cara com o futuro da tecnologia.

Foi exatamente essa a experiência que os seis vencedores do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário, de 2025, vivenciaram entre os dias 25 e 31 de janeiro.

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.Os estudantes Emilly Rodrigues, Gabriela Mendanha, Hugo Maia, Naomi Ferreira, Naryane Ribeiro Medeiros e Pedro Docema, ao lado de Anamaíra Spaggiari, CEO do Na Prática, e Lorena Stephanie, head da área de educação da organização, participaram de uma imersão tecnológica que passou por Pequim e Shanghai, onde visitaram empresas de tecnologia de ponta, parques tecnológicos e complexos industriais que estão liderando a inovação tanto na Ásia quanto no mundo.

O itinerário, aliás, foi desenhado sob medida, levando em consideração as áreas de estudo e de atuação de cada participante da imersão.

Como foi a viagem do Na Prática na China

Como três dos universitários premiados são estudantes de medicina, as visitas ao setor de saúde estavam entre as mais aguardadas. Como na AirDoc, empresa de tecnologia médica que utiliza algoritmos de aprendizado profundo e Inteligência Artificial para detectar doenças crônicas por meio de exames oculares. Tudo a ver com a solução desenvolvida por Gabriela, vencedora nacional do Prêmio Na Prática, que aplica IA para diagnóstico oftalmológico de ceratocone.

Ainda no setor de saúde, o grupo visitou a SinoVision, empresa em Pequim especializada em tomografia computadorizada, e o Hospital Geral do Exército de Libertação Popular. Por lá, a automação em todas as fases do atendimento do paciente chamou a atenção de Pedro e de Naomi, estudantes de medicina que também atuam em projetos de gestão do sistema de saúde e ampliação do cuidado.

Robôs humanoides na China

Em Pequim, o grupo também esteve na RobotEra, startup de robôs humanóides incubada pelo TusPark (Tsinghua University Science Park), o maior parque científico universitário do mundo. E é justamente nessa área de robôs humanoides que Narayane está fazendo seu mestrado.

Falando em robótica, em Shanghai, na visita à WhalesBot, os estudantes puderam observar como brinquedos tecnológicos, drones e robôs já fazem parte dos ensinos nas escolas e ajudam crianças e jovens, de 3 a 22 anos, a aprenderem lógica de programação desde cedo. Houve passagens também por Zhangjiang Hi-Tech Park e pelo AI Robot Valley.

O grupo também conheceu a SpaceSail, empresa aeroespacial que opera uma constelação de satélites para internet banda larga, e essa foi uma das visitas mais aguardadas por Emilly, que já atuou em projetos internacionais para sistemas espaciais.

A presença brasileira no tour foi representada pela Suzano, maior produtora de celulose do mundo, que mantém um centro de inovação focado em P&D em Shanghai. Um dos alunos, Hugo Maia, inclusive, trabalha na empresa, na unidade de Belém, onde desenvolveu um sistema que reduz erros em estoque e, pelo impacto positivo e pela eficiência, foi replicado em outras localidades.

O roadshow também contou com visitas ao nHUB (uma organização em Pequim que conecta inovação, talentos internacionais e desenvolvimento econômico, atuando na incubação e suporte regulatório para startups que desejam operar na China), Alibaba, Zhiyong Science & Innovation e Golden Education, onde os participantes puderam entender como está se desenvolvendo o ecossistema de inovação e de empreendedorismo no país asiático.

A experiência incluiu, ainda, atividades tipicamente chinesas, como a viagem de trem-bala, visitas à Grande Muralha da China e um jantar no famoso The Bund, um charmoso distrito localizado no centro de Shanghai, de onde pode-se observar o crescimento urbano ao horizonte.

Por que uma imersão na China?

A viagem foi estruturada para expandir o conhecimento dos participantes por meio do contato direto com o que há de mais avançado em tecnologia e inovação no cenário global. 

O objetivo era proporcionar uma experiência que permitisse aos estudantes observar práticas de ponta, compreender como diferentes setores, incluindo governo, academia e iniciativa privada, se articulam, e refletir sobre como esses modelos podem ser adaptados ou inspirar iniciativas no contexto brasileiro.

Esse tipo de atividade, chamado de roadshow, é fundamental para o desenvolvimento da inovação. E a China foi escolhida como destino justamente por ter passado por um processo intenso de crescimento econômico ao longo de décadas, com avanços na criação de produtos e tecnologias, na expertise em engenharia e na qualificação da mão de obra em larga escala, de uma maneira que não é vista em nenhum outro local do mundo.

“Uma imersão de uma semana em um país continental tão distante da realidade brasileira é uma das experiências mais intensas de aprendizagem que nós poderíamos proporcionar”, avalia Anamaíra Spaggiari, CEO do Na Prática.

“Nós fizemos visitas de até duas horas nas empresas, e a recepção do povo chinês foi sempre muito calorosa. E, entre um deslocamento e outro, voltávamos para a van, conversávamos e conseguíamos fazer o debriefing com os alunos. Isso tudo para assimilar o que aprendemos durante a visita, como isso tem a ver com a nossa história, o que pode ser levado de ensinamento para o Brasil e como isso muda o planejamento de carreira para cada um”, acrescenta.

Conheça os vencedores do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário de 2025:

Emilly Raiane Rodrigues, de 24 anos

Em um projeto internacional de nanossatélites da agência espacial francesa, Emilly desenvolveu sistemas de recuperação autônoma de computadores de bordo que elevaram em 98% a disponibilidade do satélite e reduziram em mais de 85% o tempo de inicialização.

Gabriela Santos Mendanha, 24 anos

No Ver Hospital dos Olhos, vinculado à PUC, criou um algoritmo de IA para interpretar tomografias de córnea no pré-operatório de cirurgias refrativas — um dos maiores desafios da oftalmologia. O modelo atingiu mais de 80% de acurácia, reduziu 70% dos custos de triagem e gerou economia média de R$ 37 mil.

Hugo Santos Maia, 23 anos

Como estagiário em Logística e Supply Chain na Suzano, desenvolveu um sistema de gestão de armazém que reduziu em 50% as divergências de estoque e em 60% o tempo de devoluções, sendo replicado para outras unidades. Também se envolveu em projetos de pesquisa em energias renováveis, incluindo hidrogênio verde.

Naomi Nascimento Ferreira, 23 anos Como fundadora e presidente da Missão Mulher Saudável, liderou uma iniciativa inédita que levou educação sexual, planejamento familiar e inserção de DIUs a comunidades do interior do Ceará. O projeto já beneficiou mais de 300 mulheres, capacitou 60 profissionais da atenção básica e alcançou cerca de 1.000 estudantes.

Narayane Ribeiro Medeiros, 23 anos

Liderou o projeto GeoPredict, que aplicava IA e processamento de imagens para análises ambientais e climáticas. A iniciativa conduzida por ela foi finalista global de uma competição da NASA em 2024 (International Space Apps Challenge), entre mais de 10 mil projetos.

Pedro Henrique Docema Rodrigues, 21 anos

À frente da refundação da Bandeira Científica da USP, coordenou expedições humanitárias de saúde que realizaram mais de 5 mil atendimentos a populações em vulnerabilidade em 15 especialidades médicas, e mobilizaram mais de R$300 mil em recursos. Em 2024, liderou ações emergenciais no Rio Grande do Sul.

fotos: Germano Lüders/Exame

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