

Marcela Marcos
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 17:30h.
Se você está aflito na hora de se candidatar a vagas para seu primeiro emprego, saiba que já pode respirar com calma. É normal travar e ficar na dúvida sobre quais habilidades você deve colocar no currículo, principalmente quando a seção de experiências profissionais está vazia.
As empresas, na verdade, não esperam que candidatos para posições iniciais já tenham uma lista de competências profissionais desenvolvidas. O mercado de trabalho valoriza muito mais o seu potencial de aprendizado, a sua vontade de resolver problemas e a forma como você encara os desafios do dia a dia.
O segredo para preencher as habilidades no seu currículo está em saber olhar para a sua própria vida e identificar o que você já faz bem.
As habilidades que aparecem no currículo costumam ser divididas em dois grupos. O primeiro reúne os conhecimentos técnicos, chamados de hard skills. Geralmente envolvem conhecimento em um determinado software ou em uma língua estrangeira.
Alguns exemplos são:
Já o segundo grupo reúne as habilidades comportamentais, também conhecidas como soft skills. Elas mostram como você costuma trabalhar e aprender e como reage em meio aos desafios do dia a dia.
Neste caso, temos habilidades como:
Os recrutadores sabem que ensinar alguém a usar um sistema de computador pode levar poucas semanas, mas orientar alguém a ser colaborativo ou responsável pode levar muito mais tempo. Por isso, ao montar o seu documento, o ideal é equilibrar o que você sabe fazer (habilidades técnicas) com a forma como você se comporta diante das responsabilidades.
Muitas pessoas acreditam que só podem listar competências desenvolvidas em empregos formais. Na maioria dos casos, no entanto, isso não é verdade.
Ainda mais se você está em início de carreira, você pode identificar habilidades observando atividades realizadas ao longo da escola, da faculdade ou da vida pessoal. Como? Comece perguntando a si mesmo:
Nem sempre a experiência aparece com o nome da competência desenvolvida.
Veja alguns exemplos.
| Experiência | Habilidade que pode aparecer no currículo |
|---|---|
| Empresa júnior | Organização, trabalho em equipe, liderança |
| Projeto de extensão | Comunicação, planejamento |
| Trabalho voluntário | Empatia, colaboração |
| Monitoria | Comunicação, didática |
| Organização de eventos | Gestão do tempo, organização |
| Atlética | Trabalho em equipe, liderança |
| Curso online | Aprendizado contínuo |
| Negócio da família | Atendimento ao cliente, organização |
O relatório Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial, aponta características como pensamento analítico, capacidade de aprender, colaboração, adaptação às mudanças e liderança entre as mais valorizadas pelos empregadores.
Já o LinkedIn Workplace Learning Report destaca que o desenvolvimento de competências humanas continua sendo uma prioridade para empresas que contratam profissionais em diferentes níveis de carreira.
Depois de fazer sua lista, compare suas competências com a descrição da vaga. Se a empresa procura por alguém para atendimento ao cliente, por exemplo, vale destacar comunicação, organização e resolução de problemas.
Se a vaga é para a área de tecnologia, pode fazer mais sentido falar de lógica, programação, Excel, inglês ou ferramentas específicas da função.
Essa adaptação também facilita a leitura do currículo por recrutadores e por sistemas de triagem utilizados em muitos processos seletivos.
Então, esqueça a pressão por incluir competências que você não tem e passe a destacar aquelas que já fazem parte do seu dia a dia e que fazem sentido para cada oportunidade.
Imagine um candidato que coloca no currículo que é “extremamente focado e proativo”, mas não cita nenhum exemplo ao longo do documento que sustente essa afirmação. Essa é uma falha que acontece frequentemente e que pode fazer a pessoa perder credibilidade.
Outro erro problemático é mentir sobre o nível de idioma ou domínio de um software. Lembre-se de que a empresa pode pedir algum teste prático, e a verdade sempre aparece nesses momentos.
Por outro lado, o candidato que acerta é aquele que contextualiza. Em vez de escrever apenas “boa comunicação”, ele insere na seção de atividades extracurriculares: “Responsável por mediar debates entre os alunos”. Essa mudança na escrita consegue comprovar suas atitudes e passa muito mais confiança para quem está lendo.
No fim das contas, o seu primeiro currículo é um retrato do seu momento atual e da sua disposição para crescer. Não tenha vergonha da falta de experiência formal. Valorize a sua trajetória pessoal, seja honesto sobre o que você ainda precisa aprender e mostre que você pode fazer a diferença no ambiente de trabalho.
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