

Redação Na Prática
Publicado em 1 de abril de 2026 às 18:51h.
Em salas de aula cada vez mais digitalizadas, uma dúvida tem surgido entre educadores, pais e estudantes: é melhor aprender escrevendo à mão ou digitando?
Um estudo recente liderado pela pesquisadora Anabela Malpique, da Edith Cowan University, comparou os efeitos da escrita manual e da digitação no aprendizado infantil e trouxe resultados que ajudam a entender como diferentes formas de registrar informações podem influenciar o desempenho dos alunos.
A pesquisa analisou mais de 500 crianças do 2º ano do ensino fundamental, avaliando o que acontece quando utilizam lápis e papel ou teclado. O tema ganhou repercussão na imprensa brasileira, como mostrou reportagem do portal G1.
Os resultados indicam que cada formato tem vantagens, mas também revelam por que a escrita manual ainda desempenha um papel central no aprendizado. A seguir, saiba mais sobre a pesquisa
O trabalho conduzido por Malpique faz parte de um projeto internacional que investiga como os mais jovens aprendem a escrita, seja qual for o contexto educacional em que esteja inserido.
Os pesquisadores acompanharam alunos enquanto eles produziam textos em dois formatos:
Escrita manual (lápis e papel)
Escrita digital (teclado)
Além da qualidade dos textos, em si, o estudo também avaliou fatores como:
motivação para escrever
sensação de competência
fadiga física ou técnica
Os resultados mostraram que os estudantes costumam gostar da escrita digital, mas relatam sentir mais domínio da tarefa quando escrevem à mão. Para se ter uma ideia mais visual entre os dois modos de escrita, preparamos uma tabela.
| Aspecto | Escrita manual | Escrita digital |
|---|---|---|
| Motivação | Alta sensação de competência | Atitude positiva, mas menos domínio |
| Velocidade | Mais lenta | Mais rápida quando há fluência |
| Fadiga | Cansaço na mão | Lentidão ao digitar |
| Qualidade do texto | Melhor em média | Depende da habilidade com teclado |
A pesquisa também dialoga com avaliações educacionais internacionais, como o Naplan, que acompanham a transição de escolas para ambientes digitais.
No Brasil, testes equivalentes são conduzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira por meio do Sistema de Avaliação da Educação Básica.
Na hora de estudar, mesmo com a popularização de tablets e computadores nas escolas, a escrita manual continua apresentando algumas vantagens cognitivas.
Trabalhos acadêmicos na área de aprendizagem mostram que escrever à mão envolve processos motores e cognitivos simultâneos, o que pode ajudar na retenção de informações.
Um estudo clássico conduzido por Pam Mueller e Daniel Oppenheimer e publicado na revista Psychological Science já havia apontado que anotações feitas à mão podem favorecer a compreensão e melhorar a memória, porque exigem maior processamento das ideias.
No estudo de Malpique, isso aparece de outra forma: as crianças se sentem mais capazes quando escrevem manualmente, o que pode influenciar a qualidade dos textos.
No Brasil, órgãos como o Ministério da Educação têm ampliado o uso de tecnologias educacionais, e avaliações digitais começam a aparecer em diferentes níveis do ensino. Isso cria um novo desafio: ensinar simultaneamente caligrafia e fluência digital até para que o estudo seja feito de forma eficiente.
Sem prática suficiente de digitação, alunos podem demorar mais para escrever, perder foco na ideia do texto e concentrar-se no teclado em vez no conteúdo
Por outro lado, quando a habilidade é desenvolvida, a escrita digital pode se tornar mais rápida e eficiente, especialmente em atividades como redações longas ou trabalhos escolares.
A principal conclusão dos pesquisadores é que não se trata de escolher entre papel ou teclado, mas de encontrar equilíbrio.
Uma abordagem híbrida pode incluir:
Manter atividades de escrita manual, especialmente nos primeiros anos escolares.
Introduzir gradualmente o uso de teclado e ferramentas digitais.
Treinar fluência de digitação.
Usar tecnologia, como ferramentas de IA para estudantes, para revisão e colaboração, algo difícil no papel.
Essa combinação ajuda os estudantes a desenvolver habilidades psicomotoras, cognitivas e digitais ao mesmo tempo.
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Em muitos casos, sim. Estudos indicam que a escrita manual pode favorecer o processamento das informações e a memória, porque exige maior esforço cognitivo durante o registro das ideias.
Segundo o estudo de Anabela Malpique, o problema geralmente não é motivação, mas falta de fluência no teclado. Quando o aluno ainda digita lentamente, isso pode prejudicar o fluxo de escrita.
Muitas crianças demonstram atitude positiva em relação ao digital, mas relatam sentir mais domínio da tarefa quando escrevem à mão, o que pode influenciar a qualidade do texto.