

Felipe Giacomelli
Publicado em 17 de abril de 2026 às 09:29h.
A construção de uma trajetória profissional consistente passa menos por atalhos e mais por decisões sustentadas no longo prazo. É o que acredita André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual. Ele foi o convidado do painel de abertura da Conferência de Carreira 2026, do Na Prática, que teve mediação Anamaíra Spaggiari, CEO da organização.
Diante de um público formado por mais de 400 jovens de todo o Brasil e selecionados em um processo seletivo com quase 11 mil inscritos, o executivo partiu da própria história (criado pela mãe e pela avó na classe média do Rio de Janeiro) para reforçar a ideia de que o ponto de partida não limita o percurso. “A boa notícia é que isso [construir uma carreira consistente e de sucesso] é totalmente possível. E depende principalmente de vocês”, afirmou.
Se na Conferência os participantes são encorajados a definir seus objetivos profissionais e pensar sua carreira no longo prazo, ao revisitar o início da sua trajetória, André Esteves destacou que suas primeiras escolhas foram guiadas mais pela necessidade do que por um “grande sonho”.
“No começo, meu sonho grande era ter um emprego, um salário no final do mês e deixar de ser a despesa de casa”, disse. Ainda assim, o que considera determinante foi o entendimento precoce da necessidade da autoliderança: “O meu futuro dependia de mim. Do meu esforço, da minha dedicação, dos valores certos”.

Um dos objetivos da Conferência de Carreira é trazer exemplos de líderes de sucesso do mercado de trabalho para inspirar os jovens universitários e recém-formados com suas trajetórias e seus ensinamentos. Daí a escolha de Esteves para o painel de abertura.
Ao longo da conversa, o executivo reforçou que o mercado atual tem passado por intensas transformações e exige mais do que domínio técnico. Para ele, o diferencial está na combinação entre conhecimento, capacidade de cultivar bons relacionamentos e de como criar uma rede.
“O profissional de sucesso é um conjunto de atributos”, afirmou. “E está muito ligado a ter relacionamentos profissionais significativos com seus colegas, com seus chefes, futuramente com seus subordinados”.
Nesse contexto, ele alertou para um erro comum entre jovens profissionais: priorizar ganhos imediatos em detrimento de trajetórias mais promissoras. “Nunca sacrifique uma decisão de longo prazo em prol de uma de curto prazo”, avaliou. “Eu vejo muita gente tomando uma decisão completamente equivocada para ganhar 30, 40% a mais no curto prazo e abrindo mão de um futuro que podia levá-lo muito mais longe.”
Sua própria trajetória ilustra esse princípio. Ao trocar um emprego estável, confortável e próximo na universidade em que estudava por uma oportunidade no mercado financeiro com remuneração menor, Esteves apostou no potencial de crescimento e na possibilidade de “empreender dentro de uma empresa”. Para ele, esse tipo de visão é decisivo no início da carreira.
Outro ponto recorrente na fala do executivo foi a relação entre esforço e resultado. “A correlação da sorte com horas trabalhadas é enorme, é perto de 1”, afirmou. Mais do que volume de trabalho, ele destacou a importância do direcionamento: “Esforço não é ficar até dez horas da noite só pra cumprir tabela. É resolver problemas, mostrar predisposição, apoiar o time”. explicou.
O executivo também chamou atenção para a forma como os profissionais lidam com erros e frustrações. “Só erra quem faz”, disse. Para ele, reconhecer falhas, aprender com elas e seguir em frente é parte essencial do processo.
Falando em problemas e percalços, Esteves citou a venda do banco Pactual, do qual era CEO e acionista, ao UBS como “o maior erro” que cometeu. “Sacrificamos o longo prazo pelo curto prazo”, afirmou, destacando a importância de corrigir rotas ao longo do caminho. No fim, Esteves saiu do UBS, fundou o BTG e articulou a recompra do Pactual da instituição suíça, transformando o BTG Pactual no maior banco de investimentos da América Latina.
Na reta final de sua entrevista, o executivo ainda comentou como a inteligência artificial está impactando o mercado de trabalho. Sem adotar uma visão alarmista, defendeu a necessidade de adaptação e de aprendizado contínuo. “Toda inovação tecnológica traz incerteza. A gente tem que abraçar a transformação, se educar nela”, disse.
Ao encerrar, Esteves reforçou uma visão otimista sobre o país e o papel das novas gerações. “O Brasil está melhorando. Tem muita oportunidade. E a boa notícia é que depende da gente”, afirmou.
Antes de sair do palco da Conferência de Carreira, o executivo recebeu uma homenagem do Na Prática pelo investimento que faz na formação de jovens talentos, principalmente no ensino superior, e na contribuição para iniciativas voltadas à educação e ao desenvolvimento profissional no país.

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