

Felipe Giacomelli
Publicado em 26 de maio de 2026 às 17:52h.
Você já se sentiu cansado antes mesmo de chegar ao trabalho? Aquele esgotamento que nem uma boa noite de sono resolve? Pior: só de ouvir a vinheta dos programas dominicais, seu corpo já paralisa, porque sabe o que vem depois?
Se isso soa familiar, saiba que esse tipo de sofrimento tem nome, tem causa e está relacionado à saúde mental no trabalho.
É um problema tão sério que a partir de hoje, dia 26 de maio, passa a valer a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego. Essa norma obriga empresas de todos os setores a identificar e gerenciar não apenas os riscos físicos do ambiente de trabalho, mas também os chamados riscos psicossociais, como sobrecarga, assédio moral e sexual, metas incompatíveis e ambientes tóxicos.
Até porque são justamente esses fatores que afetam a saúde mental do trabalhador e alimentam aquele cansaço acumulado mencionado anteriormente.
A NR-1 foi aprovada na esteira de, em 2024, o Brasil ter registrado o maior número de afastamentos por transtornos mentais em uma década. Foram 472 mil licenças concedidas, um aumento de aproximadamente 67% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
Em 2025, o cenário piorou. Foram mais de 546 mil afastamentos concedidos pela Previdência Social, resultado 15,6% superior ao do ano anterior. As maiores causas de afastamento foram transtornos ansiosos (166.489 casos) e episódios depressivos (126.608 casos).
Até então, a NR-1 obrigava as empresas a mapear apenas riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Com a atualização, passa a ser obrigatório incluir também os fatores de risco psicossociais, como:
É importante destacar: a norma não determina que as empresas façam diagnósticos psiquiátricos de seus funcionários.
A norma estava prevista para entrar em vigor em maio de 2025, mas o Ministério do Trabalho e Emprego concedeu prazo adicional para adaptação. Agora, com as diretrizes em pleno vigor a partir desta terça, as empresas passam a ser fiscalizadas. Durante os primeiros 90 dias, a fiscalização terá caráter orientativo. Após esse período, poderão ser aplicadas penalidades como multas e embargos .
A nova NR-1 reforça que saúde mental no trabalho não é responsabilidade exclusiva do trabalhador.
Esse equilíbrio entre responsabilidade individual e corporativa é justamente um dos temas mais discutidos no ambiente profissional atual. Se você quer entender como navegar essa fronteira no dia a dia, vale a leitura de como evitar o burnout e manter a saúde mental no trabalho sem perder o rendimento, um guia prático para identificar sinais de esgotamento precoce e proteger sua carreira.
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A nova norma cria uma abertura para que trabalhadores abordem o tema com mais segurança. Mas muitos ainda têm dúvidas sobre como iniciar essa conversa.
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Com informações da Agência Brasil
O que muda com a atualização da NR-1 em 2025?
Com a atualização que entra em vigor hoje, em 26 de maio, as empresas passam a ser obrigadas a identificar e gerenciar não apenas riscos físicos, químicos e biológicos, mas também os chamados riscos psicossociais, como sobrecarga de trabalho, assédio moral e sexual, metas incompatíveis e ambientes tóxicos que afetam a saúde mental dos trabalhadores.
O que são riscos psicossociais no trabalho?
São fatores ligados à organização do trabalho que podem gerar danos à saúde mental e física dos trabalhadores.
As empresas precisam fazer diagnóstico psiquiátrico dos funcionários para cumprir a NR-1?
Não. A norma não exige diagnósticos individuais. A obrigação é identificar e controlar os fatores do ambiente de trabalho que podem gerar ou agravar adoecimento mental, e não avaliar sintomas de cada trabalhador.
Como será a fiscalização da NR-1?
Nos primeiros 90 dias após a entrada em vigor, a fiscalização terá caráter orientativo. Após esse período, penalidades como multas e embargos poderão ser aplicadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego às empresas que não estiverem em conformidade com a norma.
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