Egberto Santana
Publicado em 16 de junho de 2026 às 17:52h.
De um lado, o Brasil forma cada vez menos engenheiros ano após ano. Do outro, esses profissionais são cada vez mais disputados por empresas, da construção civil ao mercado financeiro. Mas, afinal, por que existe esse paradoxo? Porque a evasão nos cursos de engenharia é tão elevada se os seus formados são disputados no mercado de trabalho?
A resposta vai desde desconhecimento sobre o curso em si até a falta de informação sobre as oportunidades de atuação para engenheiros. Se este é o seu caso, nesta matéria, explicamos quais são as oportunidades de atuação para quem se forma em engenharia.
Uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, em maio de 2026, mostrou que muitos estudantes escolhem fazer engenharia, mas sem conhecer direito a profissão ou o que vão aprender.

Esse cenário tem gerado resultados preocupantes. A reportagem trouxe dados da 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, do Instituto Semesp. No período entre 2020 e 2024, 57,2% dos alunos deixaram a graduação em engenharia, percentual acima da média registrada no ensino superior brasileiro.
Já segundo o Censo do Ensino Superior, de 2021, o Brasil teve recorde de formados de engenharia em 2018, com mais de 130 mil alunos. Entretanto, houve uma queda de cerca de 20% no número de formandos entre 2018 e 2021.
Se muitos estudantes escolhem esse curso por terem interesse em disciplinas como matemática e física, essa aptidão não é suficiente para fazê-los permanecer no curso.
Os primeiros anos da graduação costumam ser dominados por disciplinas teóricas, numa comparação que os docentes fazem, na reportagem da Folha, com a famosa cena do filme Karate Kid, na qual o personagem precisa passar por exercícios banais e repetitivos, como tirar e colocar o casaco, mas que será fundamental para o que ele precisa no futuro.
Nesse sentido, uma das reclamações mais comuns entre estudantes de engenharia é justamente a percepção de que o curso demora para mostrar sua aplicação no mundo real.
Outro problema que tem causado a evasão no curso de engenharia é que muitos estudantes não conhecem todas as possibilidades de atuação para os formados na área.
Embora grande parte dos jovens associe engenharia à indústria, infraestrutura ou construção civil, a realidade do mercado de trabalho é muito mais ampla. Nos processos seletivos, as empresas valorizam engenheiros com competências que vão além do conhecimento técnico da área.
Elas buscam um profissional que use a formação em engenharia para a resolução de problemas complexos, aplique o pensamento lógico e saiba como analisar os dados. Há ainda a gestão de projetos e a tomada de decisão baseada em evidências, atitudes que se espera que um engenheiro tenha e desenvolva ao longo da graduação.
Confira abaixo alguns dos setores que são cada vez mais vistos como oportunidades para os formados na área.
Uma das transições mais comuns é para o mercado financeiro. Os bancos, as gestoras de investimentos, as fintechs e as consultorias financeiras valorizam a capacidade analítica dos engenheiros para atuar em funções como:
Em muitos processos seletivos, especialmente nos programas de trainee, engenheiros figuram entre os perfis mais procurados.
Quem deseja seguir esse caminho pode conhecer melhor como funciona um programa de trainee para engenharia, modalidade que tem crescido em bancos, empresas de tecnologia e grandes corporações.
Leia Mais: Como montar o seu currículo para o mercado financeiro
Empresas globais de consultoria estratégica como BCG, Bain, McKinsey e Kearney possuem histórico de contratação de profissionais vindos de cursos de engenharia e o motivo é semelhante ao observado no mercado financeiro: a formação desenvolve uma estrutura de pensamento capaz de analisar problemas complexos, organizar informações e propor soluções.
Além disso, a transformação digital das empresas criou uma demanda crescente por profissionais capazes de conectar conhecimento técnico, negócios e análise de dados.
Nem todo engenheiro trabalha diretamente com cálculos ou desenvolvimento de produtos. Muitas empresas recrutam esses profissionais para posições ligadas à gestão de operações, logística, supply chain e planejamento estratégico.
Nessas áreas, a capacidade de estruturar processos e otimizar recursos costuma ser mais importante do que o conhecimento técnico específico da graduação. Por isso, é comum encontrar engenheiros liderando equipes, unidades de negócio ou projetos corporativos em diferentes setores da economia.
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Especialistas ouvidos pela reportagem da Folha de S.Paulo apontam que uma das principais formas de reduzir a evasão em engenharia é ampliar o conhecimento dos estudantes sobre a profissão antes da entrada na universidade.
Também é importante conversar com profissionais formados e estudantes de anos mais avançados para compreender melhor a rotina acadêmica e profissional.
A engenharia continua sendo uma das formações mais valorizadas do mercado. O desafio é que muitos jovens escolhem o curso acreditando que ele leva a apenas uma profissão, quando, na verdade, abre portas para dezenas de carreiras diferentes.
Leia Mais: Como é trabalhar com engenharia ambiental no Brasil? Engenheiro da Petrobras responde!
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Por que jovens desistem de engenharia no primeiro ano?
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, muitos estudantes entram na graduação esperando atividades práticas e descobrem um curso muito teórico nos primeiros semestres. A dificuldade das disciplinas de exatas e a falta de orientação vocacional também contribuem para a evasão.
Engenheiros trabalham apenas na construção civil?
Não. Engenheiros atuam em mercado financeiro, consultoria estratégica, tecnologia, operações, logística, análise de dados, gestão de produtos e diversas outras áreas.
Existe programa de trainee para engenheiros?
Sim. Grandes bancos, consultorias, indústrias e empresas de tecnologia possuem programas de trainee voltados para profissionais de engenharia ou que valorizam esse perfil acadêmico.
Quanto ganha um trainee de engenharia?
Os salários variam conforme o setor e a empresa. Programas de trainee em bancos, consultorias e grandes corporações costumam oferecer algumas das remunerações mais competitivas do mercado. A expectativa é que passem dos R$ 10 mil nas turmas iniciadas a partir de 2027 nas principais instituições.