

Felipe Giacomelli
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 18:28h.
A Universidade de São Paulo (USP) entrou pela primeira vez no grupo das 150 melhores universidades do mundo no Times Higher Education (THE) World University Rankings 2027, realizado por uma tradicional publicação britânica da área da educação.
A instituição aparece em um empate na 141ª posição, a melhor colocação desde que o atual formato do ranking começou a ser publicado, em 2012. Na edição anterior, a universidade estava na faixa entre o 201º e o 250º lugar.
Na nova edição da lista do Times Higher Education, o Brasil teve 58 instituições classificadas. As brasileiras ocupam as melhores posições entre as latino-americanas da lista. Veja as cinco primeiras do país:
| Universidade | Posição no THE 2027 |
|---|---|
| Universidade de São Paulo (USP) | 141ª (nota geral 62,9) |
| Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) | 326ª a 350ª |
| Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) | 601ª a 650ª |
| Universidade Estadual Paulista (Unesp) | 651ª a 700ª |
| PUC-Rio | 701ª a 800ª |
O avanço da USP no THE contrasta com o desempenho recente da universidade em outras listas. No QS World University Rankings, divulgado em junho, a USP continuou sendo a melhor brasileira, mas caiu da 108ª posição em 2025 para a 133ª. Já no Global 2000, do Center for World University Rankings (CWUR), 45 das 52 instituições brasileiras perderam posições.
Em entrevista ao G1, a coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) da USP, Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini, explicou que a universidade tem aprimorado o envio de dados para as instituições que organizam os rankings internacionais para trazer a dimensão de todas as iniciativas realizadas.
“Mais do que buscar melhores posições nos rankings, nosso trabalho é assegurar que a dimensão, a qualidade e o impacto das atividades desenvolvidas pela USP estejam adequadamente representados pelos dados que fornecemos”, afirmou a coordenadora.
Na atual edição do ranking, o desempenho da USP foi puxado pelo indicador de indústria (a capacidade da instituição de apoiar o mercado com inovações e invenções), em que alcançou 97,0 pontos em uma escala até 100. Também se destacou na qualidade do ensino (68,6) e em volume de pesquisa, recursos captados e reputação. A Unicamp também foi bem em indústria (82,7), assim como a UFRJ (86,2).
A Universidade de Oxford (Reino Unido) ficou no topo pelo 11º ano consecutivo, um recorde, com pequena vantagem sobre o MIT. Veja o top 10:
| Posição | Universidade | País |
|---|---|---|
| 1ª | Universidade de Oxford | Reino Unido |
| 2ª | MIT | EUA |
| 3ª (empatada) | Universidade de Princeton | EUA |
| 3ª (empatada) | Stanford | EUA |
| 5ª | Universidade de Cambridge | Reino Unido |
| 6ª | Harvard | EUA |
| 7ª | Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) | EUA |
| 8ª | Imperial College London | Reino Unido |
| 9ª (empatada) | Universidade da Califórnia em Berkeley | EUA |
| 9ª (empatada) | Yale | EUA |
No ranking, sete das dez primeiras colocadas são dos Estados Unidos. Nesta edição, foram avaliadas 2.297 instituições de 118 países e territórios. Você pode clicar aqui para conferir a lista completa.
Além disso, pela primeira vez, as universidades asiáticas ficaram à frente das europeias no desempenho agregado. A chinesa Tsinghua subiu para a 11ª posição e ultrapassou a suíça ETH Zurique. Já a Universidade de Pequim é a 13ª, e a Universidade Nacional de Singapura (NUS) é a 15ª.
Entre os vizinhos da região, a Pontificia Universidad Católica de Chile aparece na faixa 451-500, e o Tecnológico de Monterrey (México), na 501-550.
O ranking avalia universidades a partir de 17 indicadores, distribuídos em cinco pilares. Cada um tem um peso na nota final:
1. Ensino
Mede o ambiente de aprendizagem. Combina a reputação em ensino, apurada em pesquisa com acadêmicos, a proporção de alunos por professor, a relação entre doutorados e graduações, doutorados concedidos por docente e a receita da instituição.
2. Ambiente de pesquisa
Avalia o volume de pesquisa, o financiamento captado e a reputação. Os outros dois indicadores são a receita de pesquisa e a produtividade, medida pelo número de artigos publicados por pesquisador.
3. Qualidade da pesquisa
É o pilar de maior peso. Olha quanto os trabalhos da universidade são citados por cientistas do mundo todo e mede a força, a excelência e a influência dessas pesquisas.
4. Perspectiva internacional
Considera a proporção de alunos estrangeiros, de professores estrangeiros e as colaborações internacionais em pesquisa.
5. Indústria
Mede a capacidade de transferir conhecimento para o mercado, pela receita de pesquisa vinda de empresas e pelo número de patentes que citam pesquisas da universidade (2%).
Os dados vêm de três fontes: informações enviadas pelas próprias universidades, a base científica Scopus, da Elsevier, e uma pesquisa anual de reputação com mais de 69 mil respostas de acadêmicos. As notas são padronizadas para permitir comparações entre indicadores de natureza diferente.
Foto do post: Cecília Bastos/USP Imagens
A China foi um dos destaques na edição de 2027 do Times Higher Education. Quer saber como o país vem unindo tecnologia e educação para preparar sua próxima geração de líderes? Confira no segundo episódio da série Mundo Na Prática. Acesse aqui.